quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Fragmentos

Domingo era dia de ir pra casa da mãe (Sei, sempre falo disso, mas foram dos dias mais gostosos). Sempre colocava escondida uma lata de leite condensado na bolsa - era meu cartão para ser a atenção dos irmãos, sem brigas. A Dona Maria (nome que a mãe nunca teve, mas que sempre usei para chamá-la) ficava na cozinha fazendo as comidas mais deliciosas que jamais provarei novamente e eu fugia vez ou outra das bonecas (sim, eu brincava de bonecas tardes inteiras), escondida da Sabrina e ia, com a cumplicidade da mãe, conhecer o universo de suas coleções.

Era uma colecionadora nata, tinha alguns terços que orava todos os dias antes de dormir até virar protestante, uns livros e até revistas "suspeitas" embaixo do colchão...Ela guardava nossos umbigos, nossos testes dos pezinhos, livros de receitas, fotografias e cartas de uma família que eu nunca conheci e, dentro de tantos papéis, podia sentir sua coleção de saudade.


Tinha um pote muito curioso com as mais exuberantes peças. Os chocalhos de cobras eram dos que mais me chamavam atenção. Desmanchei quase todos. Com as mãos mesmo ou com objetos esmagadores, testando como era mais interessante, isso tudo depois de estudar minunciosamente o barulho que cada um fazia. O quanto as serpentes alardam pra se mostrar fortes e o quão fracas são!
Todas as coleções foram embora com a mãe, espalhadas por lugares que nem sei, meu umbigo provavelmente foi parar num lixão qualquer e virou comida de cachorro. Meu pé, carimbado num papel, já rodou o mundo...


Mas ficou algo comigo, dessas coisas materiais. A mãe tinha uma mania curiosa de pegar pedras em todos os lugares que ia. Não qualquer pedra. São umas marrons, até comuns, mas estão sempre frias quando as toco. Às vezes, na falta do que fazer, simplesmente brinco com minhas pedras-herança, jogo pra cima, aparo, aperto nas mãos, como fazia há 17 anos.


A que mais gosto tem a forma de uma orelha. Acho engraçado. Sempre fui a filha faladeira, mas também sempre fui a confidente. Tenho plena convicção de que ela não deixou essas pedras comigo em vão. É como se explicasse que tudo se perde, tudo vai, menos o que é sólido e consistente como uma pedra.

domingo, 27 de novembro de 2011

O parto

Sentada, aguardo o peixe frito de seu Belarmino e observo as pessoas e o lugar. São homens, em sua maioria, e conversam distraídos para esquecer os problemas. Tem sido um passatempo bom nos finais de semana, seja pelo almoço, seja pela riqueza da história da Praça Doutor Antônio Regis, a praça da Metereologia.

Exatamente aqui, há 159 anos, Imperatriz nasceu. O que hoje é um hospital foi a primeira igreja, de Santa Teresa D’Avila, a padroeira do município. A cidade foi parida nesta praça. Meus pés pisam exatamente onde Manoel Procópio decretou que estas eram terras boas para se viver, as Terras do Frei.

A mando do presidente do Grão-Pará, Jerônimo Francisco Coelho, uma expedição desceu o Rio Tocantins em busca de um lugar onde pudesse criar uma colônia militar e evangelizar.

Religião e política foram as raízes de Imperatriz, que hoje abriga 247.553 pessoas (IBGE 2010) das mais variadas origens. Hoje, crescida, a cidade dividiu-se em velha e nova.

É este o cenário que descreve nossos alicerces. Da mesma forma, surgiram duas das principais e mais antigas praças locais, ainda quando a Imperatriz era menina. Fátima brotou da igreja. Cultura, da prefeitura municipal. Ambas para o povo. Eis a tríade, as três pontas de uma coroa lapidada pelo tempo.

domingo, 13 de novembro de 2011

Vou jogar fora no lixo!


Neste 15 de novembro, em que comemoramos a Proclamação da República, brasileiros e brasileiras saem pelas ruas do país na II Marcha Contra a
Corrupção.
A concentração em Imperatriz será na Praça Mané Garrincha às 16h00. Quem está tomando a frente é o Centro Acadêmico de Direito da UFMA, que conta com o apoio do C.A. de Comunicação Social e de cidadãos que, independente de entidades, estão indignados com o descaso do governo em todos os âmbitos.
O Maranhão vem, há 40 anos, sofrendo nas mãos (e nos bigodes) de uma oligarquia que propaga a pobreza e a miséria, boicotando a saúde, a alimentação, a moradia e a informação como se estes não fossem direitos nossos e sim favores.

Se a grande mídia não nos dá voz, inventaremos outros meios!


segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Amor roxo

A princípio, éramos em preto e branco. Um clássico jogo de dados em que não se arrisca vitória ou derrota. Fomos nos colorindo a cada nova experiência, a cada descoberta. Os sabores verde-menta das salivas e o vermelho-carne dos sexos se confundiram. Foram tantos daltônicos pelo caminho que o amor, cansado, desbotou.

domingo, 11 de setembro de 2011

Um cuspe


Preciso, muito, falar de desprendimento. Pra ver se desprendo destas aflições últimas. Entender que estar só é condição obrigatória, sempre, por mais junto que se esteja. Invejo, assumidamente, as pessoas que sabem usar das palavras de maneira doce e sábia. Não me ensinaram a ser assim. As palavras que aprendi, por mais bonitas que sejam, saem feias e afiadas. Certo dia, a febre da sinceridade me fez assim, delirante, desmanchando em sincericídios.

Fico então obrigada a me desfazer... das coisas, das pessoas e das situações. Tudo por uma boca que sangra verdades que deveriam calar. Chega a amargar, a língua já adormecida não pesa o suficiente. Esta força que urge de minha garganta e faz minha voz saltar não nasceu pra discrição das verdades sussurradas. Pra ser exata, essas mentiras agradáveis rasgam-me os tímpanos. Vivo ermitão, meu corpo, meu mundo.

Se estivessem em paz consigo mesmo, a verdade não seria defeito. Mas funciona melhor assim - o EU e o EUTRO. Todo eu é podre, caga, cospe e trepa. Todo outro é imaculado e não usa absorvente porque não menstrua e só coça o saco pra lembrar que tem um. De novo. Melhor parar e ir passar o fio dental antes da carne enganchar entre os dentes. Eu não, a outra.



Foto: http://www.omelhordaweb.com.br/piadas/pagina_imagens.php?cdImagem=72

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Frigideira

À noite, morro
Pesadelos acorrentam-me à cama
E a (in)consciência do travesseiro
Pesa sobre a cabeça.
O sono inquieto,
perseguido por fantasmas,
escatologias baratas e
o corpo submerso em suor
Imploram o amanhecer,
a ressurreição.

Não tendo teu corpo,
concentro-me em secar
garrafas cheias de cachaça e mentiras,
carteiras cheias de dinheiro e cigarro,
e corpos cheios de gozo.
No hálito, álcool, nicotina e alvejante.
Sorrisos amarelos e balelas sussurradas.
Atenho-me a sugar saliva e sal.
Cansaço, desmaio.

Há noites, morro.
A lua mantém insípidos
despenteados, corpos nus.
Pernas se abrem em tua busca
Quando não a ti, a outros
Penetram onde não podem,
sempre quando não devem.
No amanhecer, a penumbra.
Olhos preguiçosos vislumbram em silêncio
A alma evaporando ao sol.

sábado, 23 de julho de 2011

No saco

Entro em ti. Tua entranhas estão podres, gastas e mortas.
De tão envolvida já não sei se sou ou se és. Sigo.
Tua carne trêmula e fraca se desfaz em dor
O sangue coagula, impedindo que eu continue o nado.
Teu ar não dá para dois, fico fraca, tudo meu é falho.
Já não enxergo, sinto o pulsar forte, rígido
Estou no coração, penso!
Escrota, são só nervos.

sábado, 25 de junho de 2011

Desfecho

A flor, natimorta.
Era esperança. Hoje, agoniza.
Apodrece entre as ervas e cravos
tão aflitos em ser o que não são.
Como doem teus espinhos
Despetalam.
Dentre tanto veneno, não dipõem perdão.
Desbotada, a cor.
Fica n'alma e desmancha a carne.
Água e sal.
A tinta preta que escorre na cara
Faz de cinza o que era amor.

sábado, 4 de junho de 2011

Nosso primeiro Pré-Enecom já rola essa semana!

Galera, Enecom chegando e aquela vontade de ir para Belém, rever amigos, conhecer gente nova, debater, curtir as culturais, ir para os N.V's e aprender nas oficinas. Um universo nos espera mas...É importante participar dos Pré-Encontros. Este ano, apenas 23 de nós representarão Imperatriz. Se liguem non primeiro Pré:


NOS VEMOS NA FRENTE DO CACOS!
Mais informações como: Apresentação de trabalhos; Preços e Prazos em:
http://enecompara2011.blogspot.com

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Atenção estudantes, oficina de cinema na UFMA, 07, 08 e 09 de Junho.
Sem nenhum gasto - particem!
Cliquem na imagem para ficar nítida!

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Estudantes de Imperatriz organizam curso sobre Como funciona a sociedade

Estudantes do Curso de Comunicação Social da UFMA trazem, em parceria com o Diretório Acadêmico de História da UEMA, o curso Como funciona a sociedade, facilitado pelo professor ludovicense Luís Noleto, através do Núcleo de Educação Popular 13 de Maio. O espaço será realizado na UFMA nos dias 28 e 29 de Maio, das 8 às 18h, com intervalo para o almoço.
A universidade tem a função de formar não só profissionais, mas também cidadãos políticos e politizados. O curso trará para os estudantes, uma análise do atual modelo cultural, econômico e social em que vivemos. A meta é alcançar, principalmente, personagens envolvidos e/ou interessados no Movimento Estudantil.

De acordo com a mestre em educação, Cyntia Silva, o 13 de Maio desenvolve a formação política com viés anticapitalista. Sua educação tem base na "socialização de elementos teóricos fundamentais que auxilia os trabalhadores a constituirem-se como sujeitos históricos capazes de apresentar uma alternativa societária com independência e autonimia histórica".

As inscrições estão sendo realizadas no Centro Acadêmico de Comunicação Social - CACOS, na UFMA, até o dia do evento (das 14h às 18h). Será cobrado o valor de R$5,00, dando direito a texto e certificado de 16h.




Para maiores informações, falar com Juliana Carvallho: (99)91621312

Anseio

Poder ao menos provar que se é alguém neste mundo mesquinho em que se rouba, sem remosos, sonhos e vidas.
Ter um bem pra amar e pedir socorro quando o negócio apertar, nem que seja um abraço
apertado pra se saber que não se está só.
Alguém que esteja perto só pra não deixar esquecer que há, sempre, algo além.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Desabafo

Ei, eu queria conversar. Sei que hoje não é dia, mas é que faz tanto tempo que às vezes nem lembro que já houve um dia. Sei que está um tanto cansado e outro tanto ocupado demais para sentar e ouvir o mundo que tenho pra contar. Mas quero tanto que até imploro...

Já tem um tempo né? E sinto tanto a tua falta que, nas raras vezes em que nos abraçamos, te cheiro bem fundo para guardar aquele momento em mim.

Só um pouco do teu tempo...pra te falar quem sou, que preciso de ti e que tenho tantos sonhos. Planejo cotidinamente minha vida e nunca realizo essa conversa. Queria te dizer que te amo tanto. Já reparou que nunca falamos isso? Às vezes até esqueço. Desculpe, não queria levar esse peso comigo. Eu, que sempre estou de malas prontas, dispenso esta bagagem.

Posso contar um segredo? Sou tão frágil e tenho tanto medo...Sei que não parece - sempre resolvo tudo, falo e faço o que quero! Mas e quando eu me quebro, quem junta os cacos? Seria você. Mas você me conhece tão pouco que nem sabe quando estou quebrada...

Não temos culpa. Nestes dias de hoje, quem tem culpa?

E eu, te conheço tanto, até parece invensão. Sei sempre de teu estado de espírito, sei quando está cansado, entediado. Quando vai falar, posso até sussurrar as palavras contigo.

Penso que às vezes também quer conversar (todo mundo precisa conversar), contar amenidades, pedir um abraço de apoio. Mas fico sem reação, cruzo os braços, fecho a cara. Conversar tem lá suas responsabilidades. Exige explicação demais, tirar o curativo e reparar que velhas feridas permanecem.

Desculpa a chateação. Só queria contar um pouco do que penso pro futuro, pra te acalmar, viver em paz conosco. Não é justo que sinta tua falta com você tão perto.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Despedida

Vermelho intenso, o sangue escorria pelo profundo corte na batata das pernas e, de tanto que era, lavava a calçada. A grade do portão entre a velha e a menina, ao mesmo tempo que era ínfima, determinaria o destino de ambas. Glup. Engoliu a saliva com aquelas palavras duras que acabavam de entrar em seus ouvidos de 7 anos: - Vá embora e não volte mais. Tentaram me matar, você não vê? Vão fazer o mesmo com você. Vai morrer. Vá e não olhe para trás, não volte nunca. Um dia nos encontramos por aí!

Não era um bom desfecho para aquela manhã tão comum. Levantou, escovou os dentes, tomou banho e passou algum tempo penteando as madeixas negras curtas. De café tomado, a pequena deu um beijo na velha e pegou a mesma komb, também velha, que a levava para a escola. No fim da manhã, só pensava em voltar para casa e comer duas ou três rosquinhas enquanto balançava na rede da àrea e analizava o ritmo diário da cozinha, sempre tão viva.



Quem foi? - Foi o velho! Gritaram os pulmões da senhora grisalha, com o nariz de tomate e olhos saltados. Sua boca fina parecia ter ganhado volume: Vá! Nos veremos...é questão de tempo.


A moleca chorava copiosamente e começou a andar cambaleante, sem rumo, quase carregada pela mochila grande que levava nas costas. Quem a visse pensaria que era um mimo qualquer, nem tamanho de gente tinha. Mas se era ali que era morava, para onde ia? O que faria? Ele iria atrás dela? O velho? Ele sempre foi tão bom...Quase nunca estava em casa, mas quando estava, tinha sempre os bolsos abarrotados de balinhas, como se minassem dali, e lhe dava um enorme prazer quando encostava a pequenina cabeça em seu peito para ouvir o coração calejado batendo como se dissesse que, de tão pequena, cabia ali.


Por sorte, acertou um lugar com conhecidos que já tinha ido umas poucas vezes. Levaram-na para a casa vizinha à da velha. Foram lá, ver o que havia. Era o primeiro sinal de loucura, mas quem acreditaria? Sempre tão sóbria, a própria sinházinha tinha cortado sua perna. O acusado nem na cidade estava. Pensaram ter sido um deslize, contaram da menina, seu paradeiro. A velha disfarçou, fez que nada aconteceu e deu as costas, foi buscar a "fugitiva" a tapas e puxões de cabelo. Um escândalo!

Por mais que a tenha visto depois e que ainda a veja vez ou outra, a vó e eu nunca mais nos encontramos. Somos dois olhares perdidos.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Desaconcelho

Se quer saber como incomodar alguém, me dou ao luxo, não de responder, mas de palpitar - não seja amigo dele(a). Não implica em ser inimigo e tampouco em não ser amigável, não-amigos incomodam. Claro, que para isso, é preciso ser um não-amigo conhecido. Aí é só esperar. A pessoa, não demora, vai achar motivos para falar. Se você não é ruim em algo, rirão. Dirão que é incapaz, ruim demais para ser amigo. Se for muito bom, bem pior (seja um fracassado), falarão que é um prepotente, que nem é tão capacitado assim.


Fato é que você sempre estará (mesmo sem convite) nas rodinhas de conversa, sempre será cumprimentado com falsos sorrisos. Agora, se quer algo bem feito, que deixe marcas, largue mão de ser um não-amigo e seja um ex-qualquer-coisa-que-se-dizia-amizade. PS - Cuidado com os falsos amigos! Estes, nem com moderação.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Esquizofrenia

No amanhecer daquele dia, viu-se em um quarto grande, de teto alto, quase um galpão. Tinha as paredes infinitamente brancas, um guarda-roupas de madeira, modelo antigo, que cobria toda a extensão de uma parede, e duas camas de casal, enormes. Estava atônita, observou que na cama ao lado haviam duas pessoas e não conseguiu identificá-las. Quando se deu conta, em seu próprio leito, que nem dela era, estava o corpo nu de um homem que, vendo sua inquietação, ajeitou-se entre seus seios como se dissesse que ali era confortável. Um choque, não pode ser! Assustou-se com a pessoa que ali estava mas, sem ao menos lembrar dos acontecimentos, se entregou ao momento e afagou os cabelos do amante. Amaram-se então de maneira tão intensa que todos os sentidos se deram ao máximo. Um amor cúmplice, não morno. Entendeu que levaria aquele cheiro consigo.


Depois de longa troca de carinhos, levantou, tinha de ter algo atrás daquela porta. Precisava descobrir em que lugar a noite anterior lhe escarrara. Enrolada num lençol, tentou mais uma vez reconhecer oz vizinhos de cama quando ouviu uma voz perguntar: - Vai para onde? Volte para cá! - Virou-se rápida, horrorizada. Já não era o mesmo homem que estivera do seu lado há segundos. Seria um pesadêlo? Quem ocupava o espaço, por si próprio, já cumpria esse papel de aterrorizar sua vida há tempos. Ele forçava um riso bizonho com seus dentes separados, quase serrados e sua tez grande. Antes daquilo acontecer, tinha que assumir, era um conto de fadas.

Sentiu as pernas finalmente fracas e entendeu que tinham lhe dado algo. Juntou forças e saiu porta afora, achou na cozinha um grupo de pessoas com quem nunca tivera muita afinidade. Inclusive a louca espalhafatosa que sempre falava mais do que devia e em horas inadequadas. Aquele compartimento da casa era totalmente diferente do quarto. Era uma cozinha rude, de interior. Tinha uma porta de madeira e uma lasca enorme arrancada, dando vizão para um quintal arenoso e tão grande que não se enxergava o fim. Cumprimentou as pessoas, mais por educação que por gosto, e ficou proxima à saída, planejando, desesperadamente, correr até achar um lugar familiar.


Surgiu do outro lado da frestra um homenzarrão, gordo e mal abarcado pela camisa vermelha que já tinha alguns furos e era moldada por aquele bucho enorme que carregava. Fez que não o viu, mas percebeu quando as unhas imundas entraram no bolso da calsa azul surrda e puxaram um canivete enferrujado. Ficou estupefada, sem fala alguma, só os olhos esbugalhados de medo. A respiração ofegante parecia tomar conta do mundo. Percebendo sua presença o homem, que bufafa como um velho e fedia a cachaça, fez sinal para que abrisse a porta. Apelou para a tagarela que foi ao seu encontro e se concentrou um milésimo segundo na porta, como se tivesse ainda um mundo de fofocas a lhe esperar, afirmando não haver nada ali e dando aquela sua gaitada insuportável que desrespeitava qualquer ser humano que quisesse ser levado a sério. Voltou a olhar e o bufão continuava lá e sorria com os dentes podres e um ar maldoso, passando a lâmina na pele enquanto um suor escuro escorria dos cabelos ralos até as dobras do imundo pescoço. Definitivamente, não sairia por ali, a situação já era agoniante.


Veio aquela cibita infeliz perguntar como foi a noite anterior. Fechou os olhos e lembrou de quem realmente estivera ao seu lado. Sentia-se ainda tonta com toda a situação. Quando voltou a si, já não estava lá. Correu a vista e reconheceu-se novamente em um quarto, dessa vez menor, cheio de colchonetes, lembrava muito um alojamento. Para sua alegria, logo entraram pela porta dois rostos conhecidos. Tentou agir naturalmente, não queria parecer louca, mas tudo o que tinha vivído até então e o próprio fato de ter aparecido ali, a estava pertubando imensamente. Deitou no colchão e os dois amigos transformaram-se em duas cabeças alegres e saltitantes que giravam em torno de seu rosto contando firulas que ela, definitivamente, não queria saber. Sentiu o juízo palpitar com toda aquela felicidade mesquinha e teve uma leve ânsia de vômito. Quase desmaiada, pediu ajuda para uma das cabeças, que a levantou e direcionou para um bosque. Pegou seu aparelho celular, que por qualquer milagre estava em suas mãos, e mandou uma mensagem para alguém que, iludiu-se, a tiraria dali.


A imagem da manhã não a deixava em paz. Sempre alguém passava e perguntava pela figura que estivera com ela, dando notícias de que estava apaixonado e cantava seu amor aos quatro cantos do mundo, dando detalhes de seu corpo e até de sua performace. Sentiu-se como Alice, por um momento. Pensou até buscar alguma saída praquele buraco em que se metera. Esperou em vão e voltou para o colchonete do alojamento. O corpo foi enfraquecendo até perder totalmente as forças, apagou. Logo já não haviam outros colchonetes e sobre o seu corpo, três bilhetes, provavelmente das cabeças flutuantes. Olhou dois deles e achou tolos mas o terceiro chamava atenção, era de alguém especial. Palavras cruéis. Chorou vendo seu estado de putefração e, no tremor da carne, já febril, surgiu num terceiro quarto.


Aquele sim, era conhecido! O corpo continuava pesado e ouviu, ao longe, uma voz conhecida a cantarolar qualquer música insuportável. Era já outra, fria pelas experiências. Quando enxergou a beata, não exitou. Perguntou o que estava acontecendo, queria esclarecer tudo aquilo. A negra cessou seu hino e fitou-a como quem perguntasse - Como assim, está acontecendo algo?-. A irritação daquela resposta a fez endemoniada. Ria alto e tinha a cara desconfigurada, subia pelas paredes enquanto arrancava os cabelos e sua voz exalava maldade e carnificina. Estava novamente presa nas garras podres do homem. Entendeu ali que não mais se livraria, aderiu.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Imperatriz não tem Lei de Cultura!

Nesta quinta-feira, 28 de Abril, o Fórum de Cultura de Imperatriz reuniu-se, às 19h, com o vereador Edmilson Sanches, no auditório a Uema - Cesi (Centro de Estudos Superiores de Imperatriz). Na ocasião, Sanches apresentou a minuta do Projeto de Lei Municipal de Cultura, escrita em fevereiro de 2010.




O historiador e músico, Carlos Leen, abriu o espaço lembrando que estamos com um problema grave e antigo de falta de fomento à Cultura em Imperatriz - "A gestão atual, bem como as anteriores, não está dando a devida atençã à àrea, desrespeitando Constituição Brasileira de 1988".





Edmilson Sanches resgatou a importância da cultura para um município, ressaltando a questão econômica e citando o exemplo da cidade de São Paulo, que tem a maior parte de seu Produto Interno Bruto (PIB) tirado de eventos e espaços culturais. Segundo Sanches, a base de um bom governo deve ser " obras e serviços com qualidade e transparência" e "ninguém nas outras gestões e na atual está preocupado com planejamento estratégico".





Após a exposição da minuta, os presentes decidiram ler o documento com calma e pesquisar outras leis de cultura para acrescentar ou modificar pontos que achem importantes. O Fórum volta a se reunir no dia 03 de Maio, às 19h na Uema, para debater as ideias levadas e montar uma proposta uniforme que será encamiha à Câmera Municipal de Vereadores e, posteriormente, sancionada pelo prefeito.







PS- O Fórum Municipal de Cultura é uma entidade da sociedade civil, que tem debatido as problematicas locais e trazer soluções para as mesmas. As reuniões são às terças, 19h, na Uema, e estão abertas a todos!

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Eu, sujeito oculto

São estes, enfim, meus companheiros eternos - o papel e a caneta. Quando já não tenho ou não sei o que escrever, começo a riscar coisas desconexas (nomes, linhas, estrelas, universos inteiros) como se aqueles traços matassem esse desejo de extrapolar. Fica então essa herança mesquinha de uma multidão de cadernos rabiscados e folhas estragadas. Uma afronta ao Meio Ambiente - seja pelas árvores cortadas (como estas da Beira Rio, que me dão encosto neste momento), seja pela poluição das ruas sujas por picotes envergonhados que escapam das mãos dos garis. Uma afronta aos intelectuais, aos inteligentes, que vez ou outra são submetidos às minhas palavras imorais, sempre tão temperadas com exageros, pecados e obscenidades. Imundas.



Escrevo porque sou refém da textura da folha e dos traços das linhas. Ao jogar nela (a folha) meus segredos tolos, desmanchada, minha cor se faz tinta. É, de certo, sem explicação. Falo de tudo mas, para muitos que lêem (ou que não lêem), sou nada. Mimada, tento de alguma maneira provar com minhas orações, mal formadas, que posso ser sujeito de minhas escolhas, menos subordinada a esse mundo de aparências das palavras faladas, das verdades caladas.





http://www.ricardoalamino.com




(Este texto foi escrito a mão em um desvaneio de fim de tarde...)

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Pétalas

Se há, em um jardim, centenas de flores, é de certo a rosa vermelha que chama atenção - talvez pelo perfume, pela maciez, qualquer coisa que tenha dado a esta espécie um quê de ser especial.





Nunca fui muito de rosas. São já tão queridas que imagino ser preciso amar as outras flores, os outros cheiros, as outras cores. Desde pequena, gosto dos girassóis - tão esparramados e sorridentes.





Lembro que em certa ocasião passei por um jardim de girassóis. Em êxtase, cheguei a sonhar que meu corpo faria morada ali ou que aquele perfume e energia se juntariam à ideia de liberdade e enraizariam em mim.





Inevitável comparar as flores às pessoas. Talvez o que mais atrai nas pessoas-rosas-vermelhas sejam os espinhos, a dificuldade que se tem para chegar às pétalas. Temos essa atração por quem nos magoa e depois afaga. Mas há, lógico, pelo caminho, pessoas-lírios, pessoas-copos-de-leite, pessoas-de-liz e até alguns amores-perfeitos, carnívoras, há ainda tantas pessoas que dão fruto...




Econtrei, há um tempo, uma pessoa meio assim (se é que se pode ser meio alguma coisa) - afastada, reclamona, triste. Pouco atraente, para mim. Deixei-a de lado, haviam tantas rosas. Mas nos aproximamos por um motivo qualquer desses que não se lembra nunca e eu a conheci cheia de encantos, segredos, vontades. Redescobri em seu sorriso e em sua cumplicidade que os espinhos não são pré-requisitos para uma amizade forte e verdadeira. Obrigada Larica, meu girassol!

terça-feira, 26 de abril de 2011

Gozo

Os corpos tremiam. E que se fudessem as escatologias. Chupavam-se.
Era preciso estar perto, sentir a invasão das ideias, do corpo, e logo, das palavras. Confundiam-se.
Quando lhe mordia o pescoço, os dentes engoliam todo o corpo, que gosto!
O apertar das carnes quase lhes bastava. Arranhavam-se e gemiam, inquietos.
As mãos desciam e tudo achavam. Cediam e salivavam.
Os dedos faziam mágia - macios, rudes, rápidos, dedos mágicos.
Respirava, e até aquilo excitava. Eram animais- instintivos, sem domínio.
Gritaram e foram abafados por coisa qualquer, sem nome, sem forma.
Derreteram.

Alerta!

Pode parecer amadorismo, que seja! Quero ver é a voz do povo na rua. Desse povo que não cala, desse povo que não cansa. Que apanha, mas levanta, por saber que é bem pior aceitar ser refém deste governo opressor, desta polícia incoerente e violenta, desta mídia mentirosa e mascarada. É inevitável, temos que sonhar para viver! Temos sim, que ir às ruas até que o asfalto afunde com a marcha de nossos pés e que fure-se os tímpanos dos aproveitadores engravatados, dos latifundiários, dos assassinos de trabalhadores e crianças.







Não é fácil. Aprenderam a nos chamar de vagabundos - por acreditarmos em algo e por perseguirmos isso. Somos vagabundos por mostrarmos as caras, por gritarmos verdades, por lutarmos com armas que ferem, não o corpo, mas a alma de pessoas, que há muito, já têm a moral ferida! E que calem mil Josés e Marias, que virão, não mil, mas infinitos Joãos e Anas e dirão que BASTA!




Que riam, que nos chamem de ridículos, que vivam em suas redomas até que elas explodam! Nós choramos pela sua ignorância e nossas lágrimas hão, de um dia, arrancar a venda de seus olhos. Tudo morre, a fé não!






Hoje na UFMA, o grito de ordem dizia: Alerta!!!!!!!!!!! E eles sentados, balançavam suas pernas magras, de pouca caminhada. Mas o coração de quem milita bate mais forte que o tilitar dos ossos, que as frases de descaso. Se desfazem do que nunca viveram.






Amanhã, às 8h da manhã, nossos professores estarão na frente do Sindicato Municipal de Professores, gritando que basta de opressão, de exploração ao trabalhador. Queremos educação com qualidade, com respeito. Dia, 28, São Luís se concentrará na Praça Deodoro às 15h e dirá: Fora Sarney, Fora Roseana, Fora Castelo, chega! Fora Honoráveis Bandidos, chega!




As paredes da hipocrisia são fortes, alimentadas por esse não conhecer, por esse calar, nós sabemos. São fortes, mas não são inquebráveis.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Erecom 2012 sediado em Imperatriz

Já é certo! Imperatriz é sede do Encontro Regional de Estudantes da Nordeste 3 (Piauí, Ceará, Maranhão e aderentes, Pará e Tocantins) em 2012. Construído por estudantes e para estudantes, o Erecom já estava sendo planejada por uma pré-comissão pedagógica, mas nada era certo ainda.


A decisão foi tomada neste domingo de páscoa, 24, e defendida pelos representantes do Ma -André Wallyson, Antônio Wagner e Sáride Maíta no Corecom, espaço de avaliação do Encontro e debate e aprovação de propostas.



A priori, a ideia é trabalhar com a bandeira de Democratização da Comunicação, uma das principais da Executiva Nacional de Estudantes de Comunicação - Enecos. O tema nasceu da rica história de nossas terras que, mesmo cheia de lutas e conquistas, tiveram por muitas vezes o povo calado por forças opressoras, como a polícia, a mídia de Sarneysta e outras.



Mesmo a passos lentos, a cidade mostra a que veio. Na última semana, a Uema foi sede do Encontro Regional de Estudantes de Biologia. Uma satisfação para quem já está já algum tempo constuindo junto ao Movimento Estudantil. Estamos, finalmente, assumindo a postura de uma região universitária? Chega de Congressos meia-boca, traremos discussões sérias e reais!



A delegação imperatrizense está voltando agora para casa, e traz na bagagem muito aprendizado e energia para construir um espaço especial para os estudantes de Comunicação, é fato. Já estamos encaminhados, quem participou da Semana do Calouro - SeCa, tem consciência de que não há mais tempo para brincar de fazer política.



Pretendemos, com o Erecom em Imperatriz, chamar atenção para a necessidade de descentralizar a notícia no Estado e de produzir comunicação de e com qualidade. A meta é receber uma média de 400 estudantes de todas as habilitações - Publicidade e Propaganda, Relações Públicas, Radio e TV, Jornalismo... Até a próxima Semana Santa!





Na foto: Pedrão,coordenador Geral da Enecos

quarta-feira, 20 de abril de 2011

É o que tem pra hoje!

Não tem o que fazer no feriado?

Hoje tem (...)

18h30 - Cine Muiraquitã. Local? Auditório da UFMA. Filme? Tampopo: os brutos também comem spaghetti.

19h00 - Reunião do Fórum de Cultura de Imperatriz. Local? Uema. Pauta? V Fórum de Cultura da Região Tocantia

22h00 - Calourada Geral. Local? Pátio da UFMA. O que tem? Forró Pé-de-serra com Cabrobró, sertanejo com Rogério & Gabriel e DJ. Quanto? R$5,00


*Mas, me chame, se você for:

-Assistir filme e comer pipoca e/ou brigadeiro;

-Beber um vinho na Beira Rio;

-Beber qualquer coisas em qualquer lugar;

-Conversar amenidades;

-Ouvir música;

-Essas coisas legais.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Calourada Geral da UFMA

Como não deu certo nem Teresina, nem Maceió, pelo menos não posso reclamar que não fui pra Calourada Geral da UFMA.


Vamos lá galera! Quem vai ficar em casa no feriadão, nos prestigiem. Pré-Lobão!


Esperamos vocês!

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Ao pessoal que construiu a SeCa

Boa tarde!

Ia postar aqui uma nota sobre a nossa viagem à São Luís (eu, Jana e Larica) mas melhor falar com elas antes até pq seria uma espécie de denúncia a determinada empresa e não só meu nome seria citado...Portanto, vou fazer algo mais leve, falar sobre algo bom. Até porque este blog está precisando, não é?

Passada a Semana do Calouro e todo seu estresse (não só da semana mas de tantas outras coisas que aconteceram simultâneas à ela), posso ver o lado positivo. Na verdade, já até estou acostumada com as brigas avassaladoras e com as mesas de bar que unem os mesmos personagens logo depois.

Mas uma conversa de mesa de bar, em particular, encheu meu coração. Sentei no velho Ponto Ideal (sem críticas, ok?) com meu amigo Jeff, do qual me aproximei muito nos últimos dias e conversamos sobre várias coisas...Relacionamentos que deram certo, ou não (Se bem que todo relacionamento dá certo enquando dura né?) e sobre a própria Semana do Calouro.

Durante a SeCa fui distribuindo tarefas para meus pupilos, coisas que eles nunca tinham feito e uma destas foi para o Jeff - facilitar um Grupo de Discussão sobre autonômia de DCE (Diretório Central de Estudates) no campus de Imperatriz. Percebi imediatamente o desespero de quem nunca tinha exercido aquela atividade. Desconfiado e sem jeito, Jeff veio me pedir ajuda, qualquer coisa pra ler...Me comprometi a ajudar.

Na correria da Semana e mesmo com as cobranças, não tive tempo para ir atrás do material. E eis que no dia o Jeff arrazou no GD (junto com o Carlos). Mesmo com poucas pessoas, o debate pegou fogo, todo mundo saiu sedento por mais, por correr atrás do prejuízo.

Jeff me deu (dentra tantas outras) duas alegrias: uma quando vestiu a roupa e conseguiu atingir um objetivo sozinho, por suor e honra próprios e outra, quando agradeceu dizendo que ninguém tinha feito por ele o que fiz: Acreditado que é capaz.

A Semana foi trabalhosa, fato. Sofrida até. Mas nada paga o Índio na Assembléia Geral dizendo que deve tudo que aprendeu ali a mim, nada paga o André mobilizando sozinho e maravilhosamente o pessoal para o Erecom, nada paga a Wyvvian superando nossa briga e trabalhando na Cultural, nada paga o esforço e o desdobramento da Larissa, a espera do Rafael para conversar comigo no momento certo, o Isac estando lá quando não tinha nenhuma obrigação, a praticidade do Vinícius (apesar do mau humor...), a presença constante da Help que até adiou as cervejas da tarde pra ficar na reunião. Nenhuma experiência substituirá a humildade da Carla e da Simone ao assumir que não deram o máximo de si ou a paciência do Leo em me aturar por tardes inteiras pressionando-o para terminar a arte. Até mesmo o abandono do Mário valeu à pena, pra lembrarmos que estamos sujeitos à isso, sempre.

À vocês, que construiram este espaço, obrigada! Nossos nomes estarão para sempre ali, lapidados pelo tempo e pelo nosso trabalho. Confio em cada um!

sábado, 16 de abril de 2011

Contenção

Se desmancho em lágrimas, nem sei se é paixão ou falta de orgulho. Talvez seja a falta do abraço que aparava, em seus ombros, as mágoas. O pranto hoje faz correnteza e preenche os vazios e as rachaduras do asfalto quebrado. Mas e o vazio do coração? Cada vez mais oco...vejo que em meu corpo, os sentimentos são água e sal, e se vão.

É agora incontrolável, conversar faz mal. Vontade de jogar tudo na parede - o computador, o celular (...)Tua voz corta meus tímpanos,, tua imagem fere meus olhos, teu toque quebra-me as pernas. Sou só feridas, enferma. Os urubus sobrevoam, mas sei bem que não podem engolir minha essência, pois ela (que deveria ser imutável) já não está em mim - um pouco em tantos outros, muito em ti.

Desconheço o começo das mentiras, dos enjôos, dos abusos. Não posso, porém, esquecer que não só aconteceram como, por diversas vezes, planejados, ocorreram. Deixo as lágrimas para as mesas de bar, para o tempêro da cerveja amarga. Ficam ainda para o espelho, é sempre bom se ver chorar, confortar a si mesmo.

A vida é contínua e a morte está à espreita (contraditório ou não). Vivo então, de tudo que sempre fui e sou, de músicas, livros, viagens, bebidas e das minhas rimas pobres. Um dia, quem sabe, quebro esse paradigma - terei alma mutável e já não mais coração.

domingo, 10 de abril de 2011

A dor de ser

Para quê se submeter a tudo? Por amor? Que amor é esse que humilha, magoa, faz mal? Falo de todos os tipos de amor - o de pai, mãe, irmão, amigos, namorado...Existe, enfim, qualquer amor que respeite e/ou aceite?

Já nem sei se quero amar. Esse amor egoísta, incompreensivo. Vejo esse tal de amor, tão repetido aqui, como um sentimento, acima de tudo, invasivo.

Entendi um dia que há dois tipos de viagem - a horizontal (corpo) e a vertical (quando a mente vai para outro lugar). Nesta viagem horizontal que fiz para São Luís, justo em busca de uma viagem vertical que me trouxesse paz, o que encontro é uma não viagem.

Corpo e mente querem estar aqui, em mim. E neste instante sou angústia e dor. E para ironia maior do destino, temo que o que me doa seja justamente a falta de amor. O meu nojo, de repente, é inveja.

Me sinto abandonada por todos (ou quase todos) meus amores. Só de tudo. Nem sei mais se já fui boa companhia. Se descreveram o que sou (ou), se me tornei o que descreveram.

Penso muito que é esse o castigo de não saber dar atenção nem mesmo pelos que tenho mais carinho. E se me vêem assim - cínica, burra, vazia e sem amor, para meu martírio, eu os tenho como espelho.

domingo, 3 de abril de 2011

A dança

Estávamos todos lá. Todos corpos. E os pensamentos? Onde estavam? Em que lugar estávamos?

Por tanto tempo houve o conformismo, este mesmo que nos fez acreditar que estava tudo bem. Que eramos felizes. Não eramos, não mais. Que haja então o respeito por todos os momentos em que estivemos. Erramos.

O amor existiu. Mas extinguiu. Os corpos já não se fundiam, a mente já não adivinhava os desejos. Caímos no marasmo do ser, por ser. Do não estar. Fica o amor, cada momento, cada dor. Até o gosto das lágrimas parece saudoso agora. Seria mais se já não houvessem lágrimas. Mas há.

E de que são então? Saudade, amor, medo, arrependimento, liberdade. Qualquer coisa que não se explique. A música simplesmente parou de tocar e é preciso entender que não se dança no silêncio.

terça-feira, 29 de março de 2011

Culturais na UFMA!


Cinzas

Foi-se o tempo em que o cansaço da mente ou do corpo vencia a insônia. Na tentativa de estar viva no dia seguinte, levanto para fumar um cigarro. Não que seja de fumar, nem que tenha nada contra, levanto para fumar e pronto. Cigarros sempre me deram sono. Assim, de silhueta despida, sento na varanda e começo o ritual. Sem luz, o isqueiro até parece uma ponta de esperança. É disso que mais gosto em cigarros, me hipnotiza eles queimando, devagar. É como um prazer calmo, quase torturante.

Há poucas estrelas, mas está bonito. Procuro a lua, nada. Deve estar atrás do telhado, escondida, deixo-a. Sou lá de competir com a lua? Deito no chão só para sentir o frio, uma necessidade de sentir qualquer coisa. Lembro dos anos passados, quando colocávamos o colchão na varanda para conversar amenidades olhando o céu até de manhã. Luz demais sempre incomodou. Noites boas aquelas.

Sinto aquela liberdade de não estar sendo vista, mas o pensamento infeliz não para de perguntar por que cargas d'água fumar o cigarro. O cheiro e o hálito vão irritar depois. Justo na hora de dormir o sono que tanto queria. Penso em apagar logo. De tantos vícios, melhor não começar um novo. Vou até o fim tragando saudade. Não sei se de agora ou de antes, mas saudade é um sentimento que sempre está. De qualquer coisa.

Escovar os dentes, comer um biscoito de sal, escovar de novo. Maldito gosto que não larga! Ah, e as contas? Quantas contas! Todas e nenhuma minha. Quantas vezes uma pessoa pode se descobrir? Se as coisas pudessem acontecer ao menos sem motivos. (E o que machuca mais que os motivos?) Que sede... Porra de biscoito de sal!

No caminho, a foto do porta-retrato já não aborrece. Isso preocupa. Assusta um pouco. No espelho, a tez e o busto anêmicos não dão nenhum sinal de beleza. Ao contrário - disputam com os cabelos secos e desgrenhados uma imagem que pede socorro quase desesperadamente. A alma é inquieta, o corpo pesa. Apago a luz para ouvir melhor a canção de ninar dos morcegos que passam pela janela. A tinta já não tem cor.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Para transbordar

O Centro Acadêmico de Comunicação Social - CaCos / UFMA - Imperatriz, está organizando, para os dias 30 e 31 de Março e 1º de Abril, a Semana dos Calouros - SeCa.
A proposta é atualizar os estudantes de todo o Curso, incluindo os veteranos, em relação ao funcionamento e à função e influência da Universidade e do Movimento Estudantil (M.E.) na qualidade do comunicador e/ou comunicólogo.
O evento usará como didática o estudo da própria instituição UFMA, seu estatuto e leis, bem como do caminho do M.E. num recorte nacional, com ênfase no de Comunicação.
As inscrições estão sendo realizadas no valor de R$10,00, na frente do CaCos, e vão até dia 28-03 (Das 14h - 17h).



INFORME-SE MAIS EM: http://secadaufma.blogspot.com/

terça-feira, 22 de março de 2011

Depenad@s

Já dizia alguém que não é muito de dar conselhos, mas que deixou este marcado, que não é bom que sintam pena de mim. Pena a gente sente de alguém que está na última, em estado deplorável, como não quero estar.
Hoje, durante uma aula, tentei entender o sentimento que nutro por certas pessoas e, que infelicidade, é o de pena. Gente que não exercita a mente, que não se esforça, que copia as ideias alheias, que colhe os louros do suor de outros.
Senti pena pela sua ignorância, não sabem de política, de economia, de cultura, de literatura, de atualidade, de moda, de esporte, de nada. E porquê? Não querem. Não sabem nem mesmo de Comunicação - escrever um texto, gravar e editar um vídeo, um áudio, tirar uma foto, diagramar um jornal, montar um blog, discursar ...
Não interpretam um texto, como haverão de interpretar o mundo? E, que pena, o mundo é duro. Principalmente com os coitados por opção. São fracos demais para levantar depois da queda. Vivem à sombra não dos espertos (apesar de acontecer às vezes), mas dos esforçados. Lógico que ninguém precisa ter conhecimento de tudo, mas este conformismo e essa folga exacerbados são penas de morte!
O futuro desses seres, que posso chamar aqui de ocos, é o nada. Não têm voz hoje e nem terão amanhã. Não têm espaço e nunca terão. Nem assunto para conversar eles têm. Imagino seus relacionamentos. É um desabafo, mas não confunda - Não é raiva, é pena. Pena porque quando tentam pisar e se sobressair, nem sempre dá certo e aí, meu amigo, é pena pra todo lado, seres depenados.

"Agora eu vou cantar pros miseráveis que vagam pelo mundo derrotados
Pra essas sementes mal plantadas que já nascem com cara de abortadas
Pras pessoas de alma bem pequena remoendo pequenos problemas
Querendo sempre aquilo que não têm
Pra quem vê a luz mas não ilumina as suas minicertezas
Vive contando dinheiro e não muda quando é lua cheia
Pra quem não sabe amar, fica esperando alguém que caiba no seu sonho
Como varizes que vão aumentando, como insetos em volta da lâmpada
Vamos pedir piedade, senhor, piedade pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade, senhor, piedade
Dê-lhes grandeza e um pouco de coragem
Quero cantar só para as pessoas fracas que estão no mundo e perderam a viagem
Quero cantar o blues com o pastor e o bumbo na praça
Vamos pedir piedade pois há um incêndio sob a chuva rala
Somos iguais em desgraça, vamos cantar o blues da piedade
VAMOS PEDIR PIEDADE!"
(Blues da Piedade - Cazuza e Frejat)

A vida pelo luxo

Vi no blog do Mestre Ed Wilson que o fazendeiro Adelson Veras de Araujo, (ir)responsável pela morte de dois (e provavelmente mais) peões de sua fazenda ganhou (leia-se comprou) sua liberdade. Nessas terras impunes que são as nossas, nada duvido que outros abusos sejam cometidos (e haverão de ser) por este "senhor" e que ainda assim a decisão permaneça.

São poucas as pessoas que têm peito para enfrentar os "donos do mundo" e a justiça parece castigar aos trabalhadores que, como se não lhes bastasse a rotina bizarra (muitas vezes marcada pelo trabalho escravo) a que são submetidos, pagam aos exploradores com sua vida (que é vivída com péssima qualidade). Terão sido em vão estas mortes?

Trata-se aqui da vida como se esta fosse moeda de troca (e quão pouco valem estas vidas!) e nosso solo, que já chora sangue de outrora (Operação Tigre, Pistolagem e a própria luta pela terra) é ainda, em plena "pós-modernide" (cinismo), encharcado e vermelho. De que lado se está? De que lado se pode estar? De uma forma ou outra, escolhe-se a vida. Não necessariamente, a sua.



segunda-feira, 21 de março de 2011

O acaso

Tivemos hoje uma Assembléia Geral dos estudantes de Comunicação para eleger os novos membros do colegiado. A irritação de outras vezes perssistira - auditório vazio, discursos (...) Tentei não me envolver nessa nova empreitada, sinto que há um certo calejamento de minha figura neste ambiente acadêmico. Um certo intojo criado pela minha eterna persona em tudo. Não reclamo de estar em tudo e nem o faço de metida, faço porque gosto, participar faz bem, acrescenta, treina a gente para outros problemas nos quais a vida nos envolve. Tenho, porém, consciência de que é necessário abrir brechas, janelas e mesmo escancarar portas para que outras pessoas ocupem estes espaços.

"Conversamos" hoje sobre descaso. Cada um com seu conceito. Taí, algo que me deixa doente. O descaso de muitos estudantes com aquela universidade. Teria eu me apaixonado pela UFMA mais do que deveria? Talvez (...)Sabe-se lá. Mas é um caso de amor que fortalece, apredizados que nenhum outro lugar poderia proporcionar. Aprendi a aceitar, inclusive e principalmente, os responsáveis pelo descaso. No final, é também por eles que lutamos. Melhor seria que todos lutassem, assumindo causas que, indiscutivelmente, são NOSSAS.

Aos novos, boa empreitada, seguiremos juntos. Aos antigos, nossas mãos já sofridas se entendem e se respeitam, não haveremos de deixá-las soltar.

Foto:www.lealdadefeminina.blogspot.com

Overdose

Tudo é poesia, tudo que grita, cala ou transpira os sentimentos deste insano mundo. Talvez esteja cansada demais sem nada fazer. Um cansaço antigo, que sempre volta. É, porém, motivador.
Tenho pensado a possibilidade de rever uns maus hábitos, amenizá-los. Dá de repente, essa vontade louca de mudar. Diminuir a dor de ser. Agir mais, porém, com cautela. Rever ideias. Reciclar amigos recicláveis. Sim, cruel, mas real que, apesar de todo o pano, plástico e química que nos revestem, o corpo é lixo orgânico - organismo.
Novos ares? Viagens já não bastam. Um viciado quer sempre mais. Agarro-me então a cada movimento, cada resquício de vida, até nessa minha mania de ser assim, cheia de manias.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Incorpóreo

Perdemo-nos entre verdades
Porque esqueceu que eram verdades suas
Mas tuas ilusões feriram tal qual mentiras
E por assim serem, eram também martírios
Chocaram-se no que (eu) não queria de mim
Hoje és livre, pela mágoa e pelas feridas
Causadas todas por tão pouco sabermos
Mas há algo, inevitavelmente, incurável
Morreu, de excessos, o amor.
Até entende-se nossas falhas, exacerbadas
Talvez nossos ciúmes, nossas loucuras e nossa febre
Mas a morte, não se perdoa, se morre.
Ao menos o amor não esvaiu em vão, não decompôs
Há ainda uma risonha lembrança
Que faz pensar, em dias de lua, que é sem fim
Que, dentre tantos, resiste às estrelas que nos separam.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A vassoura que não voa

A menina do andar de cima
rodopiava a varanda
com sua vassoura, dançarina.

De repente era vazia, a varanda.
De tão vazia, nem varanda tinha.
Era sem grade de proteção ao tédio,
a vida da menina.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Cimento

(...)
Lembrei do Movimento Estudantil e de outras lutas. De como as coisas têm sido vistas de forma diferente agora que está encerrando este ciclo de graduação. Me vejo a cada dia mais frágil e despreparada, uma sensação de incapacidade, de que poderia ter feito muito mais, lido muito mais, construído.
Vejo os que ficam, consciente de que as pessoas vão e a luta permanece. Mas muito me preocupa sua falta de sede ou, pior, sua falta de coragem de ir ao pote. Não deixa de ser um incentivo - somos poucos e sabemos pouco. Falta ainda a semente da curiosidade (aquela mesma do jornalista). Só saberão ao entender o quanto somos fortes juntos - fortes estudantes, militantes, comunicadores.
Haverá um dia, acredito, em que o Movimento Estudantil da UFMA estará edificado, acimentado e seguro.

Resumi, por preguiça.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Tijolos

Dormia quando fui interrompida...por um sonho.
Era um grupo "organizado" de pessoas que reivindicavam por uma causa que, ao meu ver, era interessante e justa mas, ao mesmo tempo, sua ação era impulsiva e ignorante, como se os outros envolvidos na situação não fossem relevantes. Indignada, fazia um discurso e perguntava - Qual a verdadeira causa de estarem aqui? Não vêem que há algo muito maior pelo que se lutar? Não percebem que estão fazendo da maneira errada, o quanto estão sendo egoístas?
O sonho desaquietou-me (Peço licença para usar este termo sem confirmá-lo. Luxo de quem trabalha com as palavras). Apesar de lutar contra muitas amarras da infância e adolescência, ainda me vejo muito ligada a algumas superstições como, por exemplo, os sonhos. Entendi como uma mensagem e não seria visto de outra forma. Até porque, se há algo que não está me deixando dormir, as coisas não podem estar bem.
Fiquei um tempo na cama, refletindo sobre várias situações a que aquilo remetia e gostaria de compartilhar os pensamentos...
Antes, pensei sobre meu posicionamento enquanto estudante de Comunicação. É sempre interessante rever algumas questões, até mesmo para que nos lembremos de nossos motivos e metas. Sempre gosto de me perguntar o motivo de ter escolhido este curso e o que ele me proporcionou e pode, ainda, proporcionar. Justifico (mesmo sem acreditar na necessidade disso) que a escolha se deu, antes de tudo, pela curiosidade. Fui dessas meninas muito "ativas" (leia-se atentadas), fazia mais perguntas constrangedoras que o comum e criava teorias loucas e desconcertantes. Dificilmente contentava com respostas simples, deixava a objetividade para as perguntas.
Não quero, jamais, perder essa capacidade de questionar e de não contentar. É essa a sina de um jornalista - nunca saciar, nunca estar respondido, sempre desconfiar. É isso que o faz levantar todos os dias e ir trabalhar - a necessidade de saber mais, ou ao menos algo, e compartilhar. Sim, passar adiante, INFORMAR. Percebi o quanto a comunicação é desapegada (Lembrei de Alda agora, que se não rir lendo isso, dirá que estou fazendo pouco caso) - Sei que muitos não têm cumprido essa missão mas, se analisarmos bem, o que mais deveria fazer um jornalista, a não ser adquirir conhecimento e difundi-lo? Desapegar-se dele? Tarefa difícil em tempos onde o saber é trancafiado nas mentes como o dinheiro é trancado nos cofres.
Talvez tenha algum sentido mas, provavelmente, é uma tentativa desesperada de justificar o posicionamento de muito colegas de profissão (certo, ainda não me formei...) que, depois de provarem a viciante sensação do saber, têm a guardado e convertido em poder. Tive, por pouco tempo, certo alívio. Questionei meu posicionamento enquanto informadora (não confundir com informante) e estive bem.
Mas ainda faltava algo... E o sonho? E aquelas outras pessoas que estava lá, quem eram? Liguei muito a uma situação que está sendo vívida (ou revivida)...

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Do que fica, teus cheiros
Que me anulam em essência
São fragrâncias tão tuas
que, atrevida, as roubo
de tal forma que vejo
em teus cheiros, teus gostos
Pele-sal, olhos com cheiros de cores
Disponíveis pra poucos
E por hora, em segredo
Os confundo, cheiros outros
Teus lábios, olfato salivam
Os perfumes se prendem em teus peitos
Iludida, me afogo em tuas juntas
E ar, nado em tuas almas
Teus suores, mãos, tuas entranhas
Puxo a respiração, nunca mais esquecê-los

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

A quem você serve?

“A ideologia do acadêmico é não ter nenhuma ideologia, faz fé de apolítico, isto é, serve à política do poder.”
A universidade tem nos preparado pura e unicamente para o mercado de trabalho, é fato. Mais fatídico ainda é o papel definido de figuras intermediárias que a maioria dos “diplomados” terá nessa estrutura. É pregada a ideia de que o espaço acadêmico é neutro – o local do saber científico. Mais parece uma continuação do nível de ensino anterior. O que já é uma falha por si só. Construímos em nossa mente a figura de um estudante de ensinos fundamental e médio parado, encostado – broco.
O acadêmico absorve o que lhe é passado (nem se pode dizer ensinado) – não pesquisa, não procura e não pergunta. E a chave de toda esta montagem do profissional não pensante ou do pseudocidadão é a aplicação de exames, provas e testes que avaliam seu “conhecimento”. Então, o negócio é engolir livros e palavras mastigadas e cuspidas por professores que, em sua maioria, já não tiveram o trabalho de mastigá-las, sem que nada seja questionado.
O próprio professor é vítima do modelo de universidade – todo o tempo, é submetido a avaliações que vão lhe render cargos e títulos: publicações, comportamento, projetos, etc. Ficam então docentes e discentes reféns de uma imagem que os permitirá estar ou não inseridos na sociedade como pessoas de bem, que “andam na linha” – Seres acéfalos, mudos.
Não é necessário reinventar a roda, mas é hora de assumir que a universidade tem exercido cada vez menos o papel de laboratório – espaço de pesquisa, descoberta, criação. A aplicação do conhecimento em prol da sociedade é quase nula. Na febre por títulos, os outros são balela – É urgente adquirir o mestrado em eumismo e o doutorado em Alter ego.
Para se ter uma noção da estrutura antidemocrática do meio acadêmico, basta ver quem o frequenta. A maioria, filhos da classe média e alta que continuam propagando a noção do consumismo a qualquer custo. O que não percebem é que defendem o autoconsumo.
Fica assim então, a ideologia dominante (daqueles bons e velhos dominadores – Estado, Igreja e classe A) é reproduzida por professores acuados e intimidados, enquanto estudantes são treinados como cãezinhos. Estudante bom é inativo, servil, dócil. Somente se tiverem um bom comportamento, terão lugar no mercado de trabalho, serão indicados – Premiados!
Com uma noção “sem noção” de que o diploma garante um status de conhecimento inatingível, não enxergam quantos diplomas têm sido arremessados pelas universidades particulares. O dinheiro na conta delas e o diploma na parede deles. Começa-se a fazer qualquer curso, sem afinidade, sem preparo – serão profissionais frustrados, cidadãos castrados.
Quem pára e questiona quais são as graduações que temos aqui em Imperatriz? São para quê? Para quem? Elas correspondem à nossa realidade? Vejam os novos cursos da UFMA – Ciências da Natureza e Ciências Humanas em 3 anos! Quem são os professores que estamos formando? Quais os resultados que o REUNI já trouxe para a universidade?
Abram os olhos! Estamos cumprindo tarefas, discutindo como executá-las e construindo sem ao menos saber a quê levarão, quem serão os beneficiados e os prejudicados por elas!

"O pensamento está fundamentalmente ligado à ação. Haja como um homem pensante e pense como um homem de ação!" ¹
¹ Frases de Maurício Tragtenberg
Baseado no texto "A delinquência Acadêmica", de Tragtenberg
Ôpa..de novo e sempre o abandono!
Dias corridos...Tenho atualizado o blog da Semana do Calouro e a inspiração não veio em dobro.
Conheçam: http://secadaufma.blogspot.com
Vou postar um texto que fiz pra lá.
cheiro

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Por que lutam? Perguntam aqueles que nunca acenderam a luz.
Por que lutam? Perguntam pálpebras fechadas de olhos que nunca se abriram.
Lutamos porque estamos vivos, porque não estamos sós!
Lutamos porque acreditamos que não existe eu sem que exista NÓS!
"Faz escuro mas a gente canta!"
(Dando uma de pueteira no Cobrecos desse ano)



*Escrevi aqui pra não esquecer pq perdi meu bloquinho de eternas anotações do Congresso. Tenso.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Noturno

Paixão, um conjunto de sentidos aflorados, refinados.
Quando se entende o gostar como algo maior, o desejo se contraria.
Aos olhos do mundo, teus critérios são poucos ou nenhum.
Aos teus olhos, é o ápice do respeito à diferença.
Aprendeste, enfim, que toda busca tem resposta.
Haverá sempre algo a descobrir -
Primeiro descobre o olhar, ainda preconceituoso.
Depois ouves e julga a voz, o tom e, por fim, o conteúdo e a ideia.
É a burocracia do contato.
Se a aparência e o estilo convencem em conjunto com voz e assunto...
Toca. Vê se a pele é macia, sente.
Depois cheira. Gostou do perfume?
Sente os cabelos, afoga teu nariz e puxa o ar.
Tua boca saliva. Beija.
Já não há sentido.
Não sabes se é o gosto, o hálito ou a língua.
Apalpa, amassa, descobre.
Contempla enquanto caem as roupas
ou arranca-as com as mãos, unhas ou dentes.
Morde, lambe, chupa. A pele é salgada e o cheiro, doce.
Pupilas passeiam buscando novos sinais,
disputam curvas com as mãos.
Nos ouvidos, gemidos, palavras, gritos.
Já não só as mãos sentem, são pés que beliscam,
panturrilhas que passeiam, coxas que apertam.
Os seios apontam e são empurrados numa disputa
cadenciada - coração X pulmão.
Os corpos rodopiam, deitados - de lado, de quatro.
Quantos corpos são?
Os sexos encaixam, explodem.
Músculos puxam e dedos se fecham em contração.
Pêlos arrepiados e pele trêmula.
Se abraçam, se fundem.
Amanhã, bom dia.


quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

No grito, a (há) esperança

Canta meu povo, que quero ouvir teu tom

Abraça-me o corpo e balança no gingado dos teus rios

GRITA Maranhão , que o grito liberta

Diz pro mundo o quanto sofres em mãos incertas

Chora pelos homens mortos por covardes grileiros na busca por terra

Sofre pelo verde destruído pelas grandes madeireiras

Se envergonhe pelas mulheres - esposas, mães, filhas - bocas caladas, sem rosto ou nome

Mas GRITA que é pro mundo ver que tem gente e que tem vez

Cora teu rosto com o vermelho-sangue do Pe. Josimo

Pinta tua pele com o marrom-Babaçu

E homenageia as mulheres e crianças que madrugam

Pra produzir o azeite, o bolo, o sabonete, o artesanato...

Dancem seus bois Catirinas mas cuidado com a Ana

Aqui no Maranhão ninguém canta e ninguém pinta

Em terra de escravidão não tem dinheiro pra artista

Mas GRITA, grita que é o grito que vai vencer os leões do palácio

Bacuri, Cacau, Jansen, esgotos a céu aberto, esgotos-rio, esgotos-mar

Em Estado de alerta, o preconceito reina e a coroa é um bigode

O preconceito de negros e índios e pobres por negros, índios e pobres

Esqueça outra espécie qualquer

Vamos aplaudir o eucalipto que vai manter nossos cupins

Vamos arrancar tudo pra plantar capim, que morram de fome as muitas famílias

Que explodam de gordos os gados de poucos

Aqui, Suzano Vale Estreito e que se danem as Suzanas e seus filhos, que pouco valem

Mas GRITA meu povo! GRITA antes que o trem leve até tua voz!

Ainda há tempo, antes que a fumaça das carvoarias e das cerâmicas invada tua garganta.

Caro Maranhão, onde a roupa, a comida e a educação são tão caros!

Levanta e luta, pois meu grito só é um sussurro mas o grito do povo é ordem de mudança!

Foto: divagandosobreavida.wordpress.com