terça-feira, 9 de novembro de 2010

As coisas que o homem tem

Dias reflexivos esses últimos. A tensão sempre nos obriga a pensar mais na vida - se estamos seguindo o caminho certo, se somos felizes em um contexto universal, plenos, satisfeitos. Me vem à cabeça principalmente essa questão que fazemos de ser donos das coisas e/ou das pessoas com as quais nos relacionamos (e às vezes até com as quais não nos relacionamos).
É tão complicado ter valores diferentes de uma maioria que já nem me sinto no direito de questionar ou julgar quem escolhe ser igual. Mas e quando os meus valores, por serem diferentes, são questionados? Devo nunca me relacionar (o que é impossível) ou atuar todo o tempo? É EGOÍSMO! Eles gritam no desespero hipócrita de ignorar que o que sou é uma construção de várias situações que, somente eu, passei. Sou hoje resultado de tudo que já fui um dia!
A própria aceitação dessa idéia me livra de uma coisa tão ruim e enraizada - o preconceito. Você acaba se tornando vítima de uma pseudo-moral, se policiando e as pessoas mais sensíveis a isso (não existe nada mais íntimo do que o que eu sou), acabam escolhendo entre duas vias mais prováveis: Viram loucos badaleiros sem apegos concretos e profundos com ninguém ou se isolam de tudo e todos. No fim, sem relacionamentos de confiança, acabam todos infelizes, inclusive os que escolhem um terceiro caminho - o de vestir a roupa dos valores tradicionais.
Esse possuir, amarrar algo/alguém é muito diferente de criar elos e amar. Vem da "evolução" do homem e é cruel e ditador como os que consideram inquestionável essa evolução. Chaplin dizia que a vida é uma peça de teatro, ele só não lembrou de citar que a platéia apedreja a liberdade toda vez que ela aparece no palco. Fica então assim, acuada no camarim, quase um mito.
(Foto: www.aguasulfurosa.blogspot.com)

Imperatriz recebe pacientes com câncer de toda a Região

São 3200 casos de câncer registrados na Unidade de Tratamento de Câncer em Imperatriz (UTC), como aponta o levantamento feito em Setembro deste ano. A Unidade de média complexidade (que só não atua em procedimentos mais difíceis como a neurocirurgia) é a única da Região e atende pessoas do Pará, Tocantins e de todo o sul maranhense em uma maratona mensal de 500 consultas, 300 quimioterapias e 60 cirurgias, fora exames e pequenos procedimentos.

Segundo o gerente administrativo da UTC, José Walmir Oliveira, o fato de 1/3 dos portadores de câncer chegar ao hospital em estágio bastante avançado se deve à falta de informação pois, normalmente, são pessoas de baixa renda, vindas do interior. “Muitas vezes não fazem o preventivo e descobrem no exame de rotina. As mulheres buscam mais tratamento que os homens, o que explica a maioria dos pacientes serem senhoras”. Os tipos mais registrados são os de mama, próstata, pele e colo do útero.

Em funcionamento há quatro anos e atendendo pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Hospital São Rafael, o setor de oncologia promove também a prevenção ao câncer através do projeto Um sábado sem câncer, que faz visitas aos bairros dando informações sobre a doença e promovendo consultas e exames. Em datas comemorativas os funcionários, em parceria com a Associação de Amparo aos Pacientes com Câncer da Região Tocantina (Ampare), costumam fazer blitz. Agora em Outubro, mês internacional contra o câncer de mama, houve uma passeata (dia 30), com saída da Praça de Fátima às 8h00 da manhã, trajeto pelas principais ruas comerciais da cidade e distribuição de camisetas.


(Foto: www.asdicas.com.br)

A prática da humanização


“O câncer é uma doença de morte eminente e por isso já traz um grande peso. O luto às vezes ocorre de forma antecipada e acaba afastando inconscientemente os familiares”. Essa afirmação é da estudante de enfermagem, Thalita Christine, que está em um projeto que aposta em atividades lúdicas (brincadeiras e jogos) para melhorar a qualidade ou até prolongar o tempo de vida dos pacientes internados no UTC. Fernanda Ketlen, outra estudante envolvida no projeto coordenado pelo professor Doutor da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) - Marcelo Donizetti, diz que atualmente só é tratada a doença e a pessoa é deixada de lado. “O paciente deve ser visto como um todo – físico, emocional e espiritual. Atualmente isso não acontece. A desculpa é que o tempo é pouco e os pacientes muitos”.

Oliveira lembra que não é fácil esse relacionamento entre médicos, enfermeiros, técnicos e pacientes. “Tem que existir o limite do profissional, até onde se deve ir em respeito ao paciente? Não dá para ser muito frio mas também não se pode exagerar”.

Esse processo de humanização é fundamental diante de um quadro de 10 a 15% de pacientes em cuidados paliativos, ou seja, cuidados que apenas adiam a morte. A mãe da universitária Camila Castro, de 20 anos, faleceu recentemente de um câncer de mama do tipo metástase, que implica na formação de novos tumores a partir de outro. A estudante diz que no período de pouco mais de um ano entre a descoberta da doença e a morte da mãe, muita coisa mudou em sua casa e que isso foi fundamental para prolongar o tempo de vida. “Minha avó e ela pararam mais de brigar, mudaram os hábitos alimentares e eu passei a dar mais atenção pra ela. Do meio pro fim, os irmãos todos vieram visitar, ligavam mais e ela se sentia muito melhor. Já é difícil enfrentar essa doença maldita, as pessoas ficam frágeis, precisam sentir que vale à pena!”


Procedimentos de prevenção e tratamento


Perante a realidade, é necessária a urgente conscientização popular e a informação sobre os procedimentos até chegar no hospital. Antes de tudo, a prevenção é o primeiro passo para saber se está tudo certo Caso haja algo errado, o ideal é que seja descoberto o quanto antes. “O paciente normalmente vem encaminhado do posto de saúde ou de clínicas (públicas ou particulares”, afirma Oliveira. Para o hospital, a pessoa deve levar a biopsia, um comprovante de endereço, o CPF, a identidade e o cartão do Sus. A partir daí é feita a triagem e ele sabe qual o procedimento ao qual será submetido. Passa então por uma palestra de orientação com a psicóloga, a enfermeira e o gerente administrativo. Nessa palestra são mostrados vídeos falando sobre as instalações, os procedimentos da quimioterapia e suas conseqüências e tiradas as dúvidas.

O UTC só faz tratamento com quimioterapia mas já está em construção no bairro Ouro Verde uma clínica que trabalhará com radioterapia, para alguns casos mais complexos. A clínica também atenderá pelo Sus e ficará próxima à sede da Ampare, que oferece estadia aos pacientes de baixa renda, que não residem em Imperatriz.



Curiosidades

Algumas das dúvidas mais constantes dos portadores de câncer são em relação à queda de cabelo, vida sexual, contagio da doença e alimentação.

As respostas são relativas, depende muito do tipo de tratamento ao que o paciente será submetido. Daí a importância de conversar com o médico e sua equipe.

É importante saber, antes de tudo, que a doença não é contagiosa mas que no caso de tratamento através da radioterapia, por exemplo, deve-se evitar o contato com crianças, idosos, gestantes e pessoas mais sensíveis pois o corpo erradia o produto usado por uma média de 15 dias após a sessão.

A alimentação, a vida sexual e a queda de cabelo dependem muito dos produtos que estão sendo usados. Em alguns casos, nada disso é mudado na vida do paciente.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Ruptura

A mão deslizava pela cintura quente, quase nua
e o corpo pequenino cabia no abraço como que feitos por encomenda.
Ambos sabiam o perigo, era mesmo dessas paixões perigosas
Fingir frieza era impossível naquele vulcão.
Eram senhores do destino um do outro.
As bocas envolvidas pareciam arte, um frenesi.
No desatar dos nós, a boca desceu,
a saliva quase evaporava com a temperatura.
Os gemidos foram cessados, alguém chegara.
Interrompidos.

Versos de Hollanda - Cia de Teatro da UFMA


Tenho pensado tanto em ti
que hora dessas
saio de porta em porta,
perguntando por mim.

Foto: Ana P. Bertand

sábado, 16 de outubro de 2010

Natimorta

Um amigo sugeriu que escrevesse minha biografia. Confesso que pensei nisso várias vezes - escrever um livro. Não necessariamente sobre a minha vida, que nem acho que tenha tanto assim a acrescentar a alguém.
Mas assumo uma vontade, um gostinho egocêntrico de fazê-lo. O problema em escrever sobre sua própria vida é que ninguém é sozinho de verdade. Ermitões são lendas.
Pensei em fazer isso em um blog anônimo. Criei tudo novo, um e-mail, senhas improváveis. Seria bom que não fosse descoberta, apesar da minha forte crença na Teoria da Conspiração. Mas percebi como em poucas linhas já havia me entregue muito. E se rastreassem meu IP? Um perigo!
Por onde melhor seria começar a falar de minha vida? Pensei nisso tantas vezes que nem sei. Cheguei a uma conclusão que mesmo que não seja a mais correta é a escolhida: minha morte.
Não se trata de memórias póstumas mas de uma morte imaginária. Acho que todo mundo já se imaginou morto um dia e já pensou em como seria fechar todo um ciclo. Peço perdão pelo engano. Primeiro, um ciclo não fecha (ao menos não deveria), depois, a maioria realmente acredita que a vida seja um ciclo.
Para mim não é bem assim. Por mais triste e deprimente acho só que morremos e pronto, acabou. Eu sei, terrível. Enfim, se este fosse um blogue científico teria que me empenhar muito mais em buscar conceitos, teorias e grandes nomes para explicar várias questões como morte, crenças, perdão e qualquer coisa que tenha sido ou que ainda será citada nessas linhas, a começar pela própria amizade a que me referi na primeira frase.
Bom, amizade. É a primeira coisa que vizualizo quando penso em minha morte. Fico por horas vendo a face dos que me cercam e se dizem meus amigos e imaginando sua reação. Chego a chorar minha morte, emocionada. Imagino uma grande morte, teatral, dramática, que repercuta (o que no final nem é tanta coisa assim). Meus ouvidos parecem ouvir os gemidos, os ais, os discursos "improvisados". "Óh, ela era tão boa, tão inteligente, tão jovem...". Aposto que haverá quem cogite a possibilidade de eu ... Não, acho que não.
Será o que se passa na hora da morte? Acho que a morte é como a vida, cada um tem a sua, única, insubstituível. A morte até segue um padrão como a vida - a maioria é parecida e as que são diferentes viram notícia. Esses critérios de noticiabilidade de hoje em dia...É quase como acreditar que seria interessante escrever algo sobre mim. Eis minha biografia: Natimorta.



quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Apo(ca)lí(p)tica

Acompanhem senhores: É política.
O pão vendido na padaria,
a moça que varre a calçada.
Esse sol que lhes queima a pele, é política!

E o que é então essa tal?
Essa que nos persegue em tudo, faminta, fingida.
Que política é essa, senhores, que fazeis ao virar as costas?
Ao ignorar os ais sussurrados nas calçadas?

Será fruto de nossa ignorância a nova política?
A politicagem religiosa. A política alienada.
Será fruto de nossa ignorância a velha política?
A politicagem oligárquica. O voto que vale o sonho.

Eis o fruto de nossa ignorância: A política DEFORMADA.
Não, não fechem os olhos, encarem a sua filha.
A criatura persegue seus criadores mesmo em seu sono.
Não se iludam, vocês não sonham com morte, não sonham
com dor, com tortura ou sangue. Sonham com política.

Ignorem, atem a política. Amarrem a cidadania.
Mas não fechem os olhos, ela vai lhes engolir.
Ela é beata, faminta, sedenta, maquiavélica.
Atriz, se veste com faces diversas, que passam despercebidas,
calando as vozes desesperadas por justiça.

Encarem sua cria, ela se tornou o avesso do que deveria.
A política apolítica.





Foto: Mosar Carvalho Costa

domingo, 10 de outubro de 2010

Pedaços

Estou perdida como há muito tempo não me sentia.
Eu, que mesmo triste sempre tive pulso,
sou refém dos sentimentos.
Nelson Rodrigues se enganou - O óbvio não é ululante...
Também me enganei - Não sou intocável.



Uma porcelana sem coração, uma miscelânea de hipocrisia.
Podre.