quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Amor líquido
Ardendo minha pele em sol,
Já inspirou tanto amar...
Assistidos por cada grão de areia
Destes que se enrolam e se confundem
aos cachos de meus cabelos
Pra se perderem nos travesseiros
ou no calor do suado lençol.
É o mar meu coração?
Corre salgado o sangue em minhas veias e artérias;
Tempero com minhas carícias o corpo dos banhistas;
Alimento com meus frutos pescadores e famílias inteiras;
Douro as peles morenas das moças que envolvo com meus abraços;
Sou verde-mar, como os olhos do amado
ou azul, como o céu que nas linhas do infinito beijo
(são só nuvens passageiras)
Traçoeiros, meus sentimentos guardam profundos segredos;
Estou sujeita à ordem natural das coisas.
Será o mar meu coração?
Frio. Um iceberg de duras paredes quase impenetrável.
Quente. Queima tal qual água-viva com os mais ousados amores.
Meu corpo, hora é barco - completo e ativo de dia;
Vazio e solitário à noite.]
Hora é o porto - segurança e constância de quem consegue voltar.
Quem nunca conheceu, teme.
Quem entra, quer ficar.
Será coração? Meu, o Mar?
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Ih, legal!
terça-feira, 30 de novembro de 2010
IV Simpósio de Comunicação da Região Tocantina
Programação Cultural:Grupo Batalhão Real, da Dona Francisca do Lindo - Lançamento do CD do Grupo
Música eletrônica – Forró Pé de Serra, Samba e Reggae / Música Regional
Dia 2 (Quinta-feira) – NOITE PRATAS DA CASA – TALENTOS DA UFMA
Marcela e Anderson – MPB
Mário Lima – MPB
Rebeca Avelar – MPB
Jéssica Ruane – MPB
Sandes – do Crafter
Música eletrônica – POP rock
Dia 3 (Sexta-feira) – NOITE DO HIP HOP – A ARTE NA POLÍTICA
DJ – Marcos 8h
RAPPERS - Fábio Bonfim – 8h
COLETIVO ARTE ALTERNATIVA – Patrick
MOVIMENTO OCUPARTE –
MOVIMENTO CUFA
Skatistas
Música eletrônica – POP rock, dance
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Peça teatral faz sérias acusações à Vale no Maranhão e Pará
-Açailândia hoje é cercada por plantações de eucalipto e já sente impactos ambientais na ausência de animais como o pássaro jacu e de árvores como a palmeira do açaí. Devido à poeira e fumaça causada pela cerca de 70 fornos da Vale, os moradores do Assentamento Califórnia, localizado a aproximadamente 800 metros das carvoarias, reclamam de problemas respiratórios, de pele e vista;
-Em Alto Alegre do Pindaré o caso é delicado. Os trilhos cortam o município ao meio e a população fica impedida de atravessar os trilhos enquanto o trem passa. Apressados para cumprir seus compromissos ou, muitas vezes, embriagados, os moradores passam por baixo do trem parado e muitas vezes são esmagados e arrastados a longas distâncias. “Em 2007 foram contabilizados 23 mortos, em 2008 foram registradas nove mortes e nada menos do que 2860 acidentes (www.justicanostrilhos.org/nota/590)”;
-“Presa de Porco nos deixou doentes”, afirma Xico Cruz, o diretor do espetáculo. Segundo Cruz, os porcos estão para o município como as vacas estão para a Índia e a proliferação de ratos e baratas é enorme, além da água estar poluída e imprópria para o consumo;
-No caso de Parauapebas, a peça aborda as promessas de emprego não cumpridas, afirmando que há um grande número de pessoas que se deslocam para o município acreditando em um emprego estável para o sustento da família, mas ficam de fora por não ter mão de obra qualificada. Desempregados e sem renda para ir para outros lugares, as famílias constroem casas na beira do rio, que ficam cerca de seis meses alagadas;
- Por último, é citada a cidade de Marabá, conhecida por sua mistura de brancos e índios. Segundo levantamento feito em 2009 pelo Ministério da Justiça e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Marabá é a segunda cidade mais violenta do Brasil. O espetáculo encena a sina de pessoas que, sem local para fixar moradia ocupam fazendas e são mortos por pistoleiros.
Xico Cruz coloca a dificuldade de se criar um espetáculo politicamente engajado “Há interferência da entidade na linguagem e nas características da peça, eu preparava o texto e eles (Combonianos) liam e aprovavam junto à comunidade”. Apresentada em Marabá e Buriti, os atores falam que “as pessoas querem que coloque mais coisas”. Vanusa Babaçu, ativista social, assistiu “Que trem é esse?” e lembrou a importância do povo fiscalizar essas indústrias que estão instaladas ou em processo de instalação em nossa região e falar sobre o que presencia. Com uma exposição fotográfica que também traz fragmentos do tema, Babaçu é firme - “o teatro é um espaço de denúncia que precisamos conquistar”.
*A exposição de Vanusa Babaçu está na Semana H de História, que vai até o dia 26 deste mês na Uema, campus de Imperatriz.
Publicado também em: www.imperatriznoticias.com.br

segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Do livro: Presságio
Canção do mundo
perdida na tua boca.
Canção das mãos
que ficaram na minha cabeça.
Eram tuas e pareciam asas.
Pareciam asa
que há muito quisessem repousar.
Canção indefinida
feita na solidão
de todos os solitários.
Os homens de bem
me perguntaram
o que foi feito da vida.
Ela está parada.
Angustiadamente parada.
O que foi feito
da ternura dos que amaram...
Ficou na minha cabeça,
mas tuas mãos que pareciam asas.
Que pareciam asas.
"A simbologia das mãos e o tema da morte."
Hilda Hilst (não pornográfico)

quarta-feira, 10 de novembro de 2010
O banquete do castelo de pedrinhas dos Sonhos Perdidos
A rainha de copas ordenou: Cortem as cabeças!
E lá estavam elas, cabeças rolantes pelo castelo de pedrinhas dos Sonhos Perdidos.
Mas os olhos não se voltaram para a rainha, toda a elite do reino culpava os decapitadores pelo serviço de “limpeza”.
Afinal, só eram decapitadores aqueles considerados perigosos, malvados, que podiam tirar o capital e a paz da igreja, da mídia e das famílias de bem. Estavam cortando suas próprias cabeças.
O bobo da corte lia a tudo no jornal de época mas nem deu atenção, ansiava pelo folhetim que viria depois, esse sim, importantíssimo!
Aqueles decapitadores sujos e fedorentos estavam bem treinados para cumprir seu papel animalesco – por muito tempo andavam reclusos nas torres do castelo, jogados como ratos e com os ratos, comendo lavagem, apanhando dos guardas do castelo, os sempre tão viris e honrosos guardas.
Enquanto isso o rei estava sentado em seu trono em frente ao mar, lambuzando seu vasto bigode com a coxa roliça de um porco fétido que morrera decapitado. O sangue preto e podre do porco assassino (e assassinado) escorria e era lambido do canto da boca.
Até tinha umas moedas de ouro para que as terras do castelo de pedrinhas dos Sonhos Perdidos não se sujassem tanto. Afinal, as filhas e netas dos donos do Porto do Mar, localizado à beira do reino, não podiam sujar as barras de seus vestidos. Mas houve algum descaso qualquer, o rei tinha esse certo vício de roer ossos e comer vísceras. Era então um bom sinal, com todas aquelas moedas e todas aquelas cabeças era certo que à noite ia ter banquete, com direito a cabeças com maçãs na boca e vinho com gosto de sangue.
Pobres dos escravos, que perderam as mãos e línguas (no lugar das cabeças), e ainda eram obrigados a servir as iguarias.