quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Amor líquido

Este leva e traz do mar,
Ardendo minha pele em sol,
Já inspirou tanto amar...
Assistidos por cada grão de areia
Destes que se enrolam e se confundem
aos cachos de meus cabelos
Pra se perderem nos travesseiros
ou no calor do suado lençol.

É o mar meu coração?
Corre salgado o sangue em minhas veias e artérias;
Tempero com minhas carícias o corpo dos banhistas;
Alimento com meus frutos pescadores e famílias inteiras;
Douro as peles morenas das moças que envolvo com meus abraços;
Sou verde-mar, como os olhos do amado
ou azul, como o céu que nas linhas do infinito beijo
(são só nuvens passageiras)
Traçoeiros, meus sentimentos guardam profundos segredos;
Estou sujeita à ordem natural das coisas.

Será o mar meu coração?
Frio. Um iceberg de duras paredes quase impenetrável.
Quente. Queima tal qual água-viva com os mais ousados amores.
Meu corpo, hora é barco - completo e ativo de dia;
Vazio e solitário à noite.]
Hora é o porto - segurança e constância de quem consegue voltar.

Quem nunca conheceu, teme.
Quem entra, quer ficar.
Será coração? Meu, o Mar?

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Se pudessem ser ditas todas as coisas do coração
como são sentidas...
Se pudessem ser sentidas assim como são ditas...
Há tanta limitação no bom. Há tanto temor no doar.
A loucura de um mundo louco e esquizofrênico.

É um não poder amar, amando.
Um respirar dolorido e cheio de mágoas.
A própria compaixão é cortante, vilã.
Em nosso tempo já não sei o que é mais hipócrita -
se é tu me amar, ou eu pensar que ama.

E se for por agora, quanto tempo vai durar?

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Ih, legal!

Bom, depois de alguns meses, está aí o "Ih, legal".
Um vídeo experimental feito para a disciplina de Cinevideojornalismo.
Temos consciência que não é lá uma produção boa mas tenham piedade,
foi meu primeiro roteiro pra tv, primeira edição, primeira atuação na tv,
primeiro tudo.
Pra vocês: O bebê!



PS - Agradeço a Raul Mesquita, que muito nos ajudou na hora do desespero! =*

terça-feira, 30 de novembro de 2010

IV Simpósio de Comunicação da Região Tocantina

Programação Cultural:

Dia 1 (Quarta-feira) – NOITE DA CULTURA POPULAR

Grupo Batalhão Real, da Dona Francisca do Lindo - Lançamento do CD do Grupo

Música eletrônica – Forró Pé de Serra, Samba e Reggae / Música Regional


Dia 2 (Quinta-feira) – NOITE PRATAS DA CASA – TALENTOS DA UFMA

Marcela e Anderson – MPB

Mário Lima – MPB

Rebeca Avelar – MPB

Jéssica Ruane – MPB

Sandes – do Crafter

Música eletrônica – POP rock


Dia 3 (Sexta-feira) – NOITE DO HIP HOP – A ARTE NA POLÍTICA

DJ – Marcos 8h

RAPPERS - Fábio Bonfim – 8h

COLETIVO ARTE ALTERNATIVA – Patrick

MOVIMENTO OCUPARTE –

MOVIMENTO CUFA

Skatistas

Música eletrônica – POP rock, dance

VENDA DE CERVEJAS, BEBIDAS QUENTES, ÁGUA E REFRIGERANTE.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Peça teatral faz sérias acusações à Vale no Maranhão e Pará

É em um cenário simples, composto por apenas seis cadeiras, seis guarda-chuvas e folhas secas espalhadas pelo chão que a peça “Que trem é esse?” vem sendo apresentada desde junho deste ano nos locais alcançados pelo trem da Vale, a segunda maior mineradora do planeta de acordo com seu site. O espetáculo, de aproximadamente 40 minutos, é uma iniciativa da campanha internacional “Justiça nos Trilhos”, lançada em 2007 pelos missionários Combonianos e apoiada por diversos grupos e organizações que apontam a Vale como uma empresa descompromissada e destruidora do meio-ambiente e das populações envolvidas no processo de mineração, plantação de eucalipto, produção de carvão e transporte ferroviário (de pessoas e minérios).


“Que trem é esse?” traz acusações gravíssimas à empresa, alegando que esta representa um risco à segurança, à qualidade de vida e à própria vida. Os seis personagens intercalam os papéis entre populares e funcionários da Vale, utilizando como artifício para chamar a atenção da platéia microfone, jograis, trocas de roupas em pleno cenário e coreografias embaladas por Marisa Monte, Zeca Baleiro e Raul Seixas. O trem, substituído pelo ritmado embalar dos guarda-chuvas pretos para em seis lugares, os mesmos para onde são levados os passageiros da ferrovia da Vale – Açailândia, Alto Alegre do Pindaré e Presa de Porco, no Maranhão e Parauapebas e Marabá, no Pará. Em cada parada, um novo problema apresentado:

-Açailândia hoje é cercada por plantações de eucalipto e já sente impactos ambientais na ausência de animais como o pássaro jacu e de árvores como a palmeira do açaí. Devido à poeira e fumaça causada pela cerca de 70 fornos da Vale, os moradores do Assentamento Califórnia, localizado a aproximadamente 800 metros das carvoarias, reclamam de problemas respiratórios, de pele e vista;


-Em Alto Alegre do Pindaré o caso é delicado. Os trilhos cortam o município ao meio e a população fica impedida de atravessar os trilhos enquanto o trem passa. Apressados para cumprir seus compromissos ou, muitas vezes, embriagados, os moradores passam por baixo do trem parado e muitas vezes são esmagados e arrastados a longas distâncias. “Em 2007 foram contabilizados 23 mortos, em 2008 foram registradas nove mortes e nada menos do que 2860 acidentes (www.justicanostrilhos.org/nota/590)”;


-“Presa de Porco nos deixou doentes”, afirma Xico Cruz, o diretor do espetáculo. Segundo Cruz, os porcos estão para o município como as vacas estão para a Índia e a proliferação de ratos e baratas é enorme, além da água estar poluída e imprópria para o consumo;


-No caso de Parauapebas, a peça aborda as promessas de emprego não cumpridas, afirmando que há um grande número de pessoas que se deslocam para o município acreditando em um emprego estável para o sustento da família, mas ficam de fora por não ter mão de obra qualificada. Desempregados e sem renda para ir para outros lugares, as famílias constroem casas na beira do rio, que ficam cerca de seis meses alagadas;


- Por último, é citada a cidade de Marabá, conhecida por sua mistura de brancos e índios. Segundo levantamento feito em 2009 pelo Ministério da Justiça e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Marabá é a segunda cidade mais violenta do Brasil. O espetáculo encena a sina de pessoas que, sem local para fixar moradia ocupam fazendas e são mortos por pistoleiros.


Xico Cruz coloca a dificuldade de se criar um espetáculo politicamente engajado “Há interferência da entidade na linguagem e nas características da peça, eu preparava o texto e eles (Combonianos) liam e aprovavam junto à comunidade”. Apresentada em Marabá e Buriti, os atores falam que “as pessoas querem que coloque mais coisas”. Vanusa Babaçu, ativista social, assistiu “Que trem é esse?” e lembrou a importância do povo fiscalizar essas indústrias que estão instaladas ou em processo de instalação em nossa região e falar sobre o que presencia. Com uma exposição fotográfica que também traz fragmentos do tema, Babaçu é firme - “o teatro é um espaço de denúncia que precisamos conquistar”.


*A exposição de Vanusa Babaçu está na Semana H de História, que vai até o dia 26 deste mês na Uema, campus de Imperatriz.


Publicado também em: www.imperatriznoticias.com.br


Atores com estudante da Comissão Organizadora da Semana "H"

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Do livro: Presságio

Canção do mundo
perdida na tua boca.

Canção das mãos
que ficaram na minha cabeça.

Eram tuas e pareciam asas.

Pareciam asa
que há muito quisessem repousar.

Canção indefinida
feita na solidão
de todos os solitários.

Os homens de bem
me perguntaram
o que foi feito da vida.

Ela está parada.
Angustiadamente parada.

O que foi feito
da ternura dos que amaram...


Ficou na minha cabeça,
mas tuas mãos que pareciam asas.
Que pareciam asas.


"A simbologia das mãos e o tema da morte."


Hilda Hilst (não pornográfico)


(Foto: Juliana Carvalho)


quarta-feira, 10 de novembro de 2010

O banquete do castelo de pedrinhas dos Sonhos Perdidos

A rainha de copas ordenou: Cortem as cabeças!

E lá estavam elas, cabeças rolantes pelo castelo de pedrinhas dos Sonhos Perdidos.

Mas os olhos não se voltaram para a rainha, toda a elite do reino culpava os decapitadores pelo serviço de “limpeza”.

Afinal, só eram decapitadores aqueles considerados perigosos, malvados, que podiam tirar o capital e a paz da igreja, da mídia e das famílias de bem. Estavam cortando suas próprias cabeças.

O bobo da corte lia a tudo no jornal de época mas nem deu atenção, ansiava pelo folhetim que viria depois, esse sim, importantíssimo!

Aqueles decapitadores sujos e fedorentos estavam bem treinados para cumprir seu papel animalesco – por muito tempo andavam reclusos nas torres do castelo, jogados como ratos e com os ratos, comendo lavagem, apanhando dos guardas do castelo, os sempre tão viris e honrosos guardas.

Enquanto isso o rei estava sentado em seu trono em frente ao mar, lambuzando seu vasto bigode com a coxa roliça de um porco fétido que morrera decapitado. O sangue preto e podre do porco assassino (e assassinado) escorria e era lambido do canto da boca.

Até tinha umas moedas de ouro para que as terras do castelo de pedrinhas dos Sonhos Perdidos não se sujassem tanto. Afinal, as filhas e netas dos donos do Porto do Mar, localizado à beira do reino, não podiam sujar as barras de seus vestidos. Mas houve algum descaso qualquer, o rei tinha esse certo vício de roer ossos e comer vísceras. Era então um bom sinal, com todas aquelas moedas e todas aquelas cabeças era certo que à noite ia ter banquete, com direito a cabeças com maçãs na boca e vinho com gosto de sangue.

Pobres dos escravos, que perderam as mãos e línguas (no lugar das cabeças), e ainda eram obrigados a servir as iguarias.