quarta-feira, 5 de junho de 2013

Bares abertos 24h em Imperatriz?

       
    Há um Projeto de Lei “intrigante” correndo na Câmara Municipal. Ele “dispõe sobre o horário de funcionamento dos bares, similares e lojas de conveniência e dá outras providências”. A proposta é liberar, por 24 horas, os bares da Beira Rio (já não são?) e outros que estão em lugares que não “pertubem o sossego público”.
            A responsabilidade do alvará ficaria a cargo de uma comissão, composta pelas secretarias de Planejamento, Obras, Meio Ambiente, Saúde e pela Procuradoria Jurídica. Se aprovada a proposta, cai a Lei nº 1110 de 2004, que proíbe entre duas e 6 horas “o funcionamento de bares e similares”.
            Hoje foi feita uma indicação para que o caso seja discutido em Audiência Pública, e que se inclua aí as igrejas e outros estabelecimentos que incomodam com a barulheira. O debate parece já estar incomodando alguns edis e mesmo a comunidade.
            De nada adianta ampliar o horário de funcionamento e melhorar a renda dos proprietários de bares se não há também um aumento do contingente policial e da segurança. Com as pessoas na rua e a maior ingestão de bebidas alcoólicas, é evidente que o número de ocorrências, prisões e crimes vai aumentar.

            Tenho de colocar o bem estar social à frente da minha boêmia. Seria maravilhoso (para mim), poder freqüentar determinados espaços quando bem entendesse, mas acredito que isso vá evidenciar o índice de violência de forma assustadora. Seja Lei dos Bares ou do Silêncio, a situação parece caminhar para outro lado e envolver muita gente, até mesmo os donos dos carros que passam dia e noite ensurdecendo a população imperatrizense.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Todo mundo pra natação!

No primeiro dia de março, haverá abertura dos Jogos Escolares Imperatrizenses no Estádio Frei Epifâio D’Abadia. E o que se verifica é o abandono de espaços criados para o fortalecimento das práticas esportivas. Como exemplo, temos as praças Mané Garricha e União, a Avenida Beira Rio, e ginásios como o do Parque das Palmeiras e o Fiqueninho.

De acordo com as denúncias feitas, a prefeitura já deixou de cumprir com patrocínios prometidos, o que resultou no cancelamento de jogos. O vereador Rildo Amaral assegurou que o Fiqueninho só serve para partidas de vôlei e o município, que não tem capacidade para construir uma quadra esportiva ou mesmo arrumar o placar do ginásio municipal, vai manter uma piscina que exige, no mínimo, R$15 mil por mês para manutenção.

O que se encontra mesmo são estruturas acabadas, banheiros imundos servindo como refúgios para moradores de rua (afinal, a cidade não oferece abrigo) e barras de apoio enferrujadas. Imagino como funcionarão essas academias públicas como a que está sendo construída na Beira Rio. A iniciativa é importante, mas é preciso se situar ao local que, inclusive, já foi bem mais bem cuidado e frequentado.

Este ano, o número de inscritos nos JEI’S corresponde a menos da metade de 2005. O próprio líder de governo alegou que as coisas não estão acontecendo do jeito certo.  Enquanto isso, a Secretaria Municipal de Esporte e Lazer que não fechou com nenhum dos programas do Ministério do Esporte. Investir em certas coisas é luxo!

terça-feira, 28 de maio de 2013

O menino e a mão

7 horas. É quando o despertador deveria avisar que sobrevivi a mais uma noite. Mas às 6h45 ela grita. Histérica e, impreterivelmente, de segunda à sexta, ela esfola a garganta e acorda a mim, ao prédio, ao quarteirão, ao mundo. Não entende, aos 35 anos, o motivo de um adolescente demorar no banheiro. Esgoela pra que ele saia logo.


E esse tempo de sono me vale o dia inteiro. A dor de cabeça e a impaciência durarão muito mais que 15 minutos. Qualquer dia desses, ou enlouqueço, ou levanto ensandecida para explicar para ela e para quem mais não souber, mesmo com essa idade, a porra que ele faz dentro do banheiro.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Imperatriz volta a ter Feira de Artes criada na década de 80

Acontece, de 29 de junho a seis de julho, a XXIV Feira de Artes de Imperatriz.  Com patrocínio do Programa de Cultura do Banco do Nordeste, edição 2012, o evento propõe resgatar a importância regional que alcançou nos 24 anos contínuos em que aconteceu, até ser interrompido em 2005. 
 
A Feira, que foi encerrada por falta de apoio de instituições governamentais e não governamentais contará com exposição de uma média 40 artesãos, feita em parceria com a ASSARI (Associação dos
Artesãos de Imperatriz). Além da mostra permanente de fotografias de Vanusa Babaçu e recreação da Companhia Cata e Conta, às 18h, para as crianças.
 
Grupos culturais como Kizomba, Boi Valente e Batalhão Real se apresentarão, assim como duas atrações musicais por noite, alternando entre bandas e voz e violão. Entre os confirmados estão Melquíades Dissonante, Senzala, Lena García, Neném Bragança, Chico Brown, Washinton Brasil e Xote Xique. A iniciativa é das produtoras culturais Didi Praes e Nice Rejane.
 

terça-feira, 14 de maio de 2013

Fotografia

São 21. Três mulheres. Uma negra. A conjuntura responde à exclusão das mulheres dos espaços políticos, onde são colocadas apenas para cumprir uma reserva obrigatória de 30% das vagas para as eleições.

São dois pastores e há uma bíblia na mesa que, comumente, é lida no início das sessões, onde a laicidade do Estado é desrespeitada. Dia desses, encontrei um embriagado no boteco com a camisa desabo...toada. Que assim seja!

Cinco professores. Três votaram contra a própria classe, confundiram as profissões. Dois jornalistas. Trabalham ambos com um formato de programa que finge dar voz à população e só reforça a marginalização e preconceito com as minorias.

21 cadeiras brancas onde sentam 247.505 cidadãos imperatrizenses. Nos corredores da Casa, quem deveria pedir direitos pede dinheiro. De terça à quinta, paredes com ouvidos de cão. Nos outros dias, reúnem-se na sala de imprensa para assistir a qualquer coisa que não seja o jornal.

Incontáveis propostas, arquivadas logo depois de lidas. Quase tudo que é falado, logo cala. Fica guardado em vídeos sem vida. Passam mais tempo ofendendo inimigos e bajulando aliados que debatendo os problemas que a gente tem e o problema de nos faltar muita coisa. De que adianta tanto discurso e baixaria, tanto teatro, se tem tanto espaço vago na galeria?

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

O cego

Quando teus olhos sumirem
será dentro dos meus.
Vão se perder devagar
e lutar com vigor até o fim.
Porque tudo foge aos olhos
e já não há um motivo
para que voltemos a nos ver.
Eles, aprisionados, se espremerão, zarolhos
para que voltem a ser notados.
Mas as lágrimas cessaram
e tuas pupilas, estáticas,
quase deixam o sal passar desapercebido.
Quando a escuridão for real,
eles nem precisarão se desviar.
Cicatrizes vendadas,
não há sequer um grau de miopia.
Seguiremos sem bengalas, óculos,
sem tropeços...
E quando olharmos para trás,
as mãos que brincam a nos cobrir a visão
pertencem a outros.
Um dia, talvez, pedirei perdão,
por te cegar.
SEnti saudade dos dias castanhos.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Naquele dia as persianas não emperraram. É provável que fosse a primeira vez. Ao mexer nelas já esperava logo que travassem e se atravessassem. Mal acreditou quando as mãos, miúdas, manusearam as três cordas na perfeição de um balé (Chopin conduzia os passos). Catarina sentou-se na pontinha da cama quase aliviada. Mesmo que brevemente. A cortina até pareceu entender sua dor e dar uma trégua proteg
endo-a dos olhares curiosos da vizinhança ou, como pensou – “Poupando-os de serem contagiados de tanta tristeza”.
Não era mulher de se fazer de coitada. Apesar de, por vezes, nem se achar mulher feita. Catá sentia até um forte asco pelo seu choro fácil. Não conseguiu verter uma lágrima sequer, mesmo com a sensação de ter um rolo compressor esmagando tudo o que tinha entre um seio e outro. – “Não há melhor forma de aprender a dosar o próprio veneno que bebendo-o!”.
Catarina nua, em frente ao espelho, ainda era a mesma. Parecia, no entanto, ter-lhe fugido a alma e, como ela desejou, culpada, por alguns segundos, a vida. Entornou três copos de vinho como fosse cachaça e riu-se descontroladamente. Riu de si. Caiu descabelada no chão quase convulsivamente. Os sufocos sempre passam, sabia. Mas enquanto não passasse, com as janelas fechadas, quem a impediria de ser apenas uma menina histérica? – “Ah, minha menina, há tanta coisa e gente conhecida a ser descoberta!”.
Quase acreditou em D/deus. Quis mesmo sentir-se inteira. Concluiu que algumas companhias têm de ser inventadas para esconder essa solidão, condição do existir. Era a criatura mais pequenina dos tempos. A juba perdeu a realeza, os olhos negros murcharam. Cada poro seu pesava uma tonelada. Agora entendia. A persiana branca desceu leve e macia guilhotina de tão afiada. Catá, Catarina, a desmiolada. Perdeu a cabeça e esqueceu que paixão é covardia. Não se ama de janela escancarada!