quarta-feira, 31 de outubro de 2012

CONTRA A PISTOLAGEM, EM DEFESA DA TERRA E DA VIDA


Carta aberta das famílias de Trabalhadores Rurais Sem Terra, acampados a seis anos na Fazenda Cipó Cortado, município de Senador La Roque/Amarante - MA.




Vimos, por meio desta carta aberta, contar nossa história de luta e resistência pelo direito a terra, trabalho e a vida digna.
No início dos anos 80, cerca de 30 mil hectares de terras da União foram grilados por Ambrósio Fidélis, vulgo mineiro, latifundiário que expulsou violentamente centenas de famílias, cometeu vários crimes ambientais, entre eles o desmatamento total da área para a venda de madeira, causando a desagregação de todo o ecossistema da região para dar lugar o cultivo do capim.
Nos anos 90 o Governo Federal, através do INCRA, identificou está área como terras da União e entrou na justiça pedindo reintegração de posse das 30 mil hectares. Após 14 anos (2006), o Superior Tribunal de Justiça determinou que o INCRA retomasse apenas 8.200 hectares, e usasse a área para a criação de assentamentos de Reforma Agrária. Portanto a grilagem de 21.800 hectares foi “legalizada” por órgãos do Governo Estadual com a conivência do INCRA, favorecendo o processo de grilagem em terras da união.
A decisão do STJ de desapropriação de apenas 8.200 hectares não foi cumprida porque a Polícia Federal alegava não ter contingente e a Polícia Militar argumentava que não tinha autorização da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Maranhão.
Diante do descaso dos Governos Estadual e Federal nós, 250 famílias que vivíamos na região, desempregadas e sem terra para morar e trabalhar, em 2007 ocupamos e passamos a produzir em parte das 8.200h consideradas  terra da União.
Mesmo tendo grilado 21.800 hectares, os fazendeiros não aceitaram a decisão judicial e resolveram disputar os 8.200 hectares destinados para assentamentos. Utilizando de violência, perseguição e tentativa de assassinato dos trabalhadores sem terra, através de milícias fortemente armadas, que circulam livremente na região, à luz do dia, o fazendeiro Francisco Elson de Oliveira tem liderado esse processo com o apoio de outros fazendeiros da região.
Os grileiros, cientes da morosidade do Programa Terra Legal, da burocracia do INCRA e do não comprometimento do judiciário com as questões sociais referente à Reforma Agrária, tentam de todas as formas nos expulsar da terra, que representa para todos nós a vida. Sem a terra para trabalhar não temos como sobreviver e não queremos ir para as cidades. Queremos viver no campo e produzir alimentos para todos que vivem na cidade.
Após várias denúncias e audiências com diversos Órgãos, entre eles, Ouvidoria Agrária Nacional, INCRA, Ministério Público, Defensoria Pública, Procuradoria Geral da União, Programa Terra Legal, Comando da Polícia Militar, até o momento não se tem nenhuma solução e a cada dia os grileiros investem mais ousadamente contra nós.
No dia 25 de outubro passado, OITO jagunços fortemente armados estiveram no acampamento numa caminhonete Hilux preta, vieram nos comunicar que um pernambucano tinha comprado a área e que nós tínhamos 24 horas para sairmos de nossas casas.
Nos dirigimos a Imperatriz - Ma e a comissão de representantes do MST e dos Direitos Humanos foi ao Comando do 3º Batalhão da Polícia Militar do Maranhão, onde comunicamos o ocorrido ao Comandante e fomos avisados que eles só iriam para a área com autorização do Secretário de Segurança Pública. Várias articulações foram feitas junto ao Governo do Estado sem nenhum sucesso.
Dia 27 de outubro passado, 12 pistoleiros armados entraram em nosso acampamento atirando e ferindo o companheiro Edmilson Tomáz dos Santos, de 26 anos, casado e pai de dois filhos.
A policia só chegou ao local horas depois do ocorrido. No hospital, o comandante tomou o depoimento do companheiro atingido e até o momento ninguém foi preso ou responsabilizado pela invasão do nosso acampamento nem pela tentativa de assassinato e lesão corporal contra nosso companheiro.
Quantos trabalhadores serão ainda ameaçados, feridos, espancados para que se resolva o nosso problema?
                O Governo está esperando que mais trabalhadores sejam assassinados no campo, para sob comoção nacional e internacional, se posicionar e solucionar o conflito?

Fotos de Daniel Sena

terça-feira, 18 de setembro de 2012

O vão

Depois de tudo, me procurar para conversar. Aceito. Sou cordial e esqueço fácil, bem sabes. Assim, volta como se tivesse viajado uns dias e esquecido de telefonar para avisar deixou a comida no microondas. Se te falasse a verdade, que pouco me importa esclarecer ou não as coisas que nem sei que coisas são, dirias que guardo mágoas e lamentarias a demora.

Acontece que faz um tempo que não penso em ti e que, mesmo o teu nome ou tua presença, já não incomodam. Não é que mudou o que vivemos. Fico muda se perguntas as novidades. Tampouco falo das alterações que, inevitavelmente, sofremos. Apenas são universos tão desconexos.

Nessas reviravoltas, pode ser que um dia a gente ainda se encaixe, pode sim. Acho bonito isso das pessoas se caberem. Mas não há cabimento algum entre nós. Posso, como antes, te escrever palavras bonitas. Nem imaginas quão poético pode ser o vazio. Rabisco mais uma “ode” ao teu retorno hipócrita, que não passa desapercebido por tantos que ainda tenho por perto. Mas devo confessar que não sinto verdade em tuas declarações, acredito que mais por não compartilhar delas que por serem falsas.

Fumo um cigarro atrás no outro esta noite e não há um trago que seja teu. Não quero machucar, pouco importa. Pensas, provavelmente, que respondo fria, que tento ser cruel, pouco importa. Não há aí um esforço sequer.

Sou ainda piegas, mais que antes. Quero para sempre os amores e os amigos. Mas são sempre novos os amores e os amigos. Renovam-se. Desculpa não te querer. O não querer dói uma dor com a qual se sobrevive melhor. O não ser querido é desconcertante. Só tenho a te oferecer um nervo adormecido.

Sou desejo e culpa. As luzes faltam do outro lado da rua enquanto escrevo asneiras debaixo do ventilador. Hoje, os bêbados se embriagam e não estou lá. Amanhã, ou depois, estarei. Sem a tua presença ou a dos vizinhos e de suas crianças barulhentas. Hoje, a vista é horrorosa da varanda, e a carga nas minhas costas é densa de saudades de quem se encaixa em mim. Uma dose de humanidade, por favor. Fraca! Não estou bem, mas estou bem melhor assim.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Grande Bacuri é Carlos Hermes


     A um mês das eleições, estamos cada vez mais otimistas. Fizemos ontem, às 17 horas, uma caminhada no grande Bacuri com apoio da brigada de Carlinhos Amorim. Acompanhada de carros de som e de bandeiras hasteadas, a caravana desceu a Rua Euclides da Cunha com uma ótima recepção dos moradores e transeuntes.
     Carlos Hermes tem um compromisso enorme com essa região. Cresceu no Anhanguera e foi membro da comunidade São José do Egito. Fato que não interfere, de modo algum, na responsabilidade assumida com os outros bairros. Como reforçou o candidato a vice-prefeito, Clayton Noleto, “Carlos Hermes tem uma longa trajetória de luta por questões que beneficiem a todos, principalmente na educação”.
     Às 20 horas, seguimos para uma reunião no Parque Anhanguera, com falas de moradores locais e do professor Alcindo Holanda. Além de apresentar as propostas de campanha, Carlos lembrou dos vereadores que abandonaram a população e das obras paradas, como a do posto de saúde da Rua 21. Abandono agravado pela falta de saneamento, que levou à infecção e amputação da perna de dona Maria, mãe da anfitriã, por meio do esgoto.
     Nos agradecimentos, Carlos Hermes observou que “a política deixou de ser interessante para as pessoas porque perdeu o caráter de honestidade” e que os presentes provavam que essa situação pode ser revertida. Por fim, reiterou-se o convite à caminhada com Flávio Dino neste sábado, oito, na Praça da Bíblia.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Campanha de Carlos Hermes é bem recebida nos bairros


Passeio ciclístico e caminhada apontam ótima aceitação do candidato a vereador do Parque Anhanguera ao Alvorada

O professor Carlos Hermes realizou, neste fim de semana, passeio ciclístico e caminhada pelos bairros do Bacuri, Buriti, Anhanguera e Alvorada. Com a presença de dezenas de apoiadores e do candidato a prefeito Carlinhos Amorim, coligação “Imperatriz de todos nós”, os trajetos seguiram por importantes ruas da cidade.
Em seu blog, Hermes afirma ter se emocionado com a “bicicletada” – “Pessoas se despindo de qualquer interesse pessoal, abraçaram nossa campanha num ato de esperança e confiança pouco visto na política de hoje, uma época em que esses valores estão cada vez mais escassos em nossa sociedade”.
No domingo, acompanhado de Clayton Noleto (vice de Carlinhos Amorim) e de lideranças do Parque Alvorada, o candidato a vereador caminhou pelas principais ruas do bairro e conversou com os moradores locais.
Acalorada por bandeirolas, a caminhada durou das 17 às 19 horas, quando a equipe se concentrou em uma das casas na Rua do Buriti para uma reunião com os vizinhos. Clayton Noleto reforçou compromisso com os bairros, afirmando que a prefeitura tem priorizado o centro da cidade, colocando “asfalto por cima de asfalto enquanto os outros lugares permanecem esquecidos na lama e na poeira”.
Carlos Hermes, professor de vários estudantes do Parque Alvorada, reforçou sua ligação com o local e relacionou a falta de uma escola de Ensino Médio à violência e ao uso de drogas, enfatizando o perigo de se voltar às 23 horas para casa pela BR. O candidato reiterou que será o vereador mais comprometido da Câmara de Imperatriz – “A minha vitória é a vitória da classe trabalhadora, de um professor militante! Peço a oportunidade de um filho da classe trabalhadora representar vocês!”.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

302

De tantas impressões, a convicção de que se está só e do quanto a solidão é egoísta. Tudo o que se produz é para uso próprio, principalmente o que é feito para o bem estar social. O retorno é total e absolutamente umbilical.
O que passa é extremamente fixo - Por mais que se mova, sempre mantém a essência de transeunte.
A entrega se dá pelo medo e sua maior manifestação opõe-se em coragem. O ápice desse medo pode ser facilmente comprovado com atitudes (e sentimentos) xiitas. Apela-se para os exageros. Tudo é denso, transborda.
MÁGOA, PENA, MESQUINHEZ, PREPOTÊNCIA. Um só sem fim. Um só. Sem fim.


sábado, 30 de junho de 2012

Binóculos

Entediada, pintei o céu de vermelho pra ver se mudo de sorte fazendo do dia, noite.
Assim, podia manter em mistério se a fumaça guardada no pulmão é do último trago de cigarro ou da chaminé da cerâmica que acaba de apagar.
Usei papel celofane laminado vermelho para que as terça-ferias comecem mais tarde e, ainda assim, aconteçam.
O lado prateado fica virado para fora, para o sol. Para que fira os olhos de qualquer um que ouse entrar neste mundo meu pela porta errada, mesmo que com convite. Dessa forma malandra que a gente tem de querer curiar sem meter as mãos e a cara.
Na transparência, as reentrâncias do passado. Vejo uma nova garota pendurada no pescoço do homem que foi meu. Enquanto ele se estica para ver-me, afasto em adeus. Observo meu vulto ficando diminuto nas lentes dos óculos, tão acessórios quanto a menina no pescoço.
Findo como os outros, na mais estúpida interpretação. Sempre haverá a certeza prepotente de que além do vidro, da grade e do papel celofane laminado vermelho, e apesar de toda a fumaça, o céu é azulzim.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Desvio

  • O certo é que vieram em algum momento
  • e determinaram: Deves invadir.
  • Perpetuou-se então tua espécie
  • em mais milhares de corpos como o meu
  • Sujeitos a sarnas, mágoas, e às rugas do tempo.

  • É demasiado irônico ser um desbravador de errantes,
  • mas o mundo já não te culpa pelos que se vão, pedaços.
  • Há, antes de tudo, uma carência desenfreada 
  • por se manter a ordem desajustada.

  • Eu, hospedeira perfeita de ti
  • Dessas que agem quando querem, quase nunca quando devem,
  • gargalho enquanto devoras minhas vísceras 
  • e me apodrece em carnificinas. 

  • A volúpia da decadência que promoves
  • ainda há de fazer meus dias amanhecerem em trevas.
  • Contraste de quem desamou da vida
  • e se enfeitiçou pela morte.