segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Frigideira

À noite, morro
Pesadelos acorrentam-me à cama
E a (in)consciência do travesseiro
Pesa sobre a cabeça.
O sono inquieto,
perseguido por fantasmas,
escatologias baratas e
o corpo submerso em suor
Imploram o amanhecer,
a ressurreição.

Não tendo teu corpo,
concentro-me em secar
garrafas cheias de cachaça e mentiras,
carteiras cheias de dinheiro e cigarro,
e corpos cheios de gozo.
No hálito, álcool, nicotina e alvejante.
Sorrisos amarelos e balelas sussurradas.
Atenho-me a sugar saliva e sal.
Cansaço, desmaio.

Há noites, morro.
A lua mantém insípidos
despenteados, corpos nus.
Pernas se abrem em tua busca
Quando não a ti, a outros
Penetram onde não podem,
sempre quando não devem.
No amanhecer, a penumbra.
Olhos preguiçosos vislumbram em silêncio
A alma evaporando ao sol.

2 comentários:

Gentil Martins do Santos disse...

Eh, o Norte está quente mesmo...

Andamos sumidos...

Ju Carvalho disse...

Está derretendo! Apareceremos!