quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Naquele dia as persianas não emperraram. É provável que fosse a primeira vez. Ao mexer nelas já esperava logo que travassem e se atravessassem. Mal acreditou quando as mãos, miúdas, manusearam as três cordas na perfeição de um balé (Chopin conduzia os passos). Catarina sentou-se na pontinha da cama quase aliviada. Mesmo que brevemente. A cortina até pareceu entender sua dor e dar uma trégua proteg
endo-a dos olhares curiosos da vizinhança ou, como pensou – “Poupando-os de serem contagiados de tanta tristeza”.
Não era mulher de se fazer de coitada. Apesar de, por vezes, nem se achar mulher feita. Catá sentia até um forte asco pelo seu choro fácil. Não conseguiu verter uma lágrima sequer, mesmo com a sensação de ter um rolo compressor esmagando tudo o que tinha entre um seio e outro. – “Não há melhor forma de aprender a dosar o próprio veneno que bebendo-o!”.
Catarina nua, em frente ao espelho, ainda era a mesma. Parecia, no entanto, ter-lhe fugido a alma e, como ela desejou, culpada, por alguns segundos, a vida. Entornou três copos de vinho como fosse cachaça e riu-se descontroladamente. Riu de si. Caiu descabelada no chão quase convulsivamente. Os sufocos sempre passam, sabia. Mas enquanto não passasse, com as janelas fechadas, quem a impediria de ser apenas uma menina histérica? – “Ah, minha menina, há tanta coisa e gente conhecida a ser descoberta!”.
Quase acreditou em D/deus. Quis mesmo sentir-se inteira. Concluiu que algumas companhias têm de ser inventadas para esconder essa solidão, condição do existir. Era a criatura mais pequenina dos tempos. A juba perdeu a realeza, os olhos negros murcharam. Cada poro seu pesava uma tonelada. Agora entendia. A persiana branca desceu leve e macia guilhotina de tão afiada. Catá, Catarina, a desmiolada. Perdeu a cabeça e esqueceu que paixão é covardia. Não se ama de janela escancarada!

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Jardim das Rosas

Tem uns 17 anos. Eu, travessa, vivia dependurada e tinha uma enorme atração por situações de risco.(Que o diga o pé de goiaba que me levava diretamente para meu refúgio no telhado da casinha do quintal). Estou, um dia, enganchada pelas pernas (sim, de cabeça para baixo) em uma grade que ficava no teto  quando surge a Dona Cidinha (Senhora que trabalhou na nossa casa por mais de dez anos) e dá um grito daqueles:
- Menina! Tu quer me endoidar? Quer ir pro Jardim das Rosas?!
Como toda moleca peralta, já estava acostumada com aqueles chiliques. Naquela situação, no entanto, bateu uma ansiedade...Coisa de criança. Sumi por uns tempos pelo meu quarto e a Dona Cidinha ficou meio tranquila, meio desconfiada...
Quando o pai chegou para almoçar, eis que surjo pelas escadas im-pe-cá-vel! Estava no meu melhor vestido, num cheiro só e com o cabelo penteadíssimo. Até o calçado das ocasiões especiais havia colocado.
- Vamos pai?
- Pra onde, minha filha? (Ele já naquela respiração impaciente de quem não tem muito tempo e sequer lembrava de ter marcado algum compromisso comigo)
- Pro Jardim das Rosas!
O pai não falou absolutamente nada. Olhou pra Dona Cidinha com uma interrogação enorme no rosto. Ela também escolheu o silêncio e engoliu a saliva quase à seco. Glup.
Deve ser realmente angustiante ver um filho arrumado para a morte. Naquele dia não fui ao Jardim das Rosas. Fiquei muito triste e comportada pelo resto da tarde. Devia ser um lugar lindo! Fui algumas vezes bem depois, enterrar os meus e, em nenhuma dessas visitas, voltei para ver quem tinha deixado pela última vez.
Espero não ter tempo de me arrumar quando for a sorteada. Quando for minha hora de fazer moradia lá, no Jardim de cimento, entre as rosas de plástico.
 

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

CONTRA A PISTOLAGEM, EM DEFESA DA TERRA E DA VIDA


Carta aberta das famílias de Trabalhadores Rurais Sem Terra, acampados a seis anos na Fazenda Cipó Cortado, município de Senador La Roque/Amarante - MA.




Vimos, por meio desta carta aberta, contar nossa história de luta e resistência pelo direito a terra, trabalho e a vida digna.
No início dos anos 80, cerca de 30 mil hectares de terras da União foram grilados por Ambrósio Fidélis, vulgo mineiro, latifundiário que expulsou violentamente centenas de famílias, cometeu vários crimes ambientais, entre eles o desmatamento total da área para a venda de madeira, causando a desagregação de todo o ecossistema da região para dar lugar o cultivo do capim.
Nos anos 90 o Governo Federal, através do INCRA, identificou está área como terras da União e entrou na justiça pedindo reintegração de posse das 30 mil hectares. Após 14 anos (2006), o Superior Tribunal de Justiça determinou que o INCRA retomasse apenas 8.200 hectares, e usasse a área para a criação de assentamentos de Reforma Agrária. Portanto a grilagem de 21.800 hectares foi “legalizada” por órgãos do Governo Estadual com a conivência do INCRA, favorecendo o processo de grilagem em terras da união.
A decisão do STJ de desapropriação de apenas 8.200 hectares não foi cumprida porque a Polícia Federal alegava não ter contingente e a Polícia Militar argumentava que não tinha autorização da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Maranhão.
Diante do descaso dos Governos Estadual e Federal nós, 250 famílias que vivíamos na região, desempregadas e sem terra para morar e trabalhar, em 2007 ocupamos e passamos a produzir em parte das 8.200h consideradas  terra da União.
Mesmo tendo grilado 21.800 hectares, os fazendeiros não aceitaram a decisão judicial e resolveram disputar os 8.200 hectares destinados para assentamentos. Utilizando de violência, perseguição e tentativa de assassinato dos trabalhadores sem terra, através de milícias fortemente armadas, que circulam livremente na região, à luz do dia, o fazendeiro Francisco Elson de Oliveira tem liderado esse processo com o apoio de outros fazendeiros da região.
Os grileiros, cientes da morosidade do Programa Terra Legal, da burocracia do INCRA e do não comprometimento do judiciário com as questões sociais referente à Reforma Agrária, tentam de todas as formas nos expulsar da terra, que representa para todos nós a vida. Sem a terra para trabalhar não temos como sobreviver e não queremos ir para as cidades. Queremos viver no campo e produzir alimentos para todos que vivem na cidade.
Após várias denúncias e audiências com diversos Órgãos, entre eles, Ouvidoria Agrária Nacional, INCRA, Ministério Público, Defensoria Pública, Procuradoria Geral da União, Programa Terra Legal, Comando da Polícia Militar, até o momento não se tem nenhuma solução e a cada dia os grileiros investem mais ousadamente contra nós.
No dia 25 de outubro passado, OITO jagunços fortemente armados estiveram no acampamento numa caminhonete Hilux preta, vieram nos comunicar que um pernambucano tinha comprado a área e que nós tínhamos 24 horas para sairmos de nossas casas.
Nos dirigimos a Imperatriz - Ma e a comissão de representantes do MST e dos Direitos Humanos foi ao Comando do 3º Batalhão da Polícia Militar do Maranhão, onde comunicamos o ocorrido ao Comandante e fomos avisados que eles só iriam para a área com autorização do Secretário de Segurança Pública. Várias articulações foram feitas junto ao Governo do Estado sem nenhum sucesso.
Dia 27 de outubro passado, 12 pistoleiros armados entraram em nosso acampamento atirando e ferindo o companheiro Edmilson Tomáz dos Santos, de 26 anos, casado e pai de dois filhos.
A policia só chegou ao local horas depois do ocorrido. No hospital, o comandante tomou o depoimento do companheiro atingido e até o momento ninguém foi preso ou responsabilizado pela invasão do nosso acampamento nem pela tentativa de assassinato e lesão corporal contra nosso companheiro.
Quantos trabalhadores serão ainda ameaçados, feridos, espancados para que se resolva o nosso problema?
                O Governo está esperando que mais trabalhadores sejam assassinados no campo, para sob comoção nacional e internacional, se posicionar e solucionar o conflito?

Fotos de Daniel Sena

terça-feira, 18 de setembro de 2012

O vão

Depois de tudo, me procurar para conversar. Aceito. Sou cordial e esqueço fácil, bem sabes. Assim, volta como se tivesse viajado uns dias e esquecido de telefonar para avisar deixou a comida no microondas. Se te falasse a verdade, que pouco me importa esclarecer ou não as coisas que nem sei que coisas são, dirias que guardo mágoas e lamentarias a demora.

Acontece que faz um tempo que não penso em ti e que, mesmo o teu nome ou tua presença, já não incomodam. Não é que mudou o que vivemos. Fico muda se perguntas as novidades. Tampouco falo das alterações que, inevitavelmente, sofremos. Apenas são universos tão desconexos.

Nessas reviravoltas, pode ser que um dia a gente ainda se encaixe, pode sim. Acho bonito isso das pessoas se caberem. Mas não há cabimento algum entre nós. Posso, como antes, te escrever palavras bonitas. Nem imaginas quão poético pode ser o vazio. Rabisco mais uma “ode” ao teu retorno hipócrita, que não passa desapercebido por tantos que ainda tenho por perto. Mas devo confessar que não sinto verdade em tuas declarações, acredito que mais por não compartilhar delas que por serem falsas.

Fumo um cigarro atrás no outro esta noite e não há um trago que seja teu. Não quero machucar, pouco importa. Pensas, provavelmente, que respondo fria, que tento ser cruel, pouco importa. Não há aí um esforço sequer.

Sou ainda piegas, mais que antes. Quero para sempre os amores e os amigos. Mas são sempre novos os amores e os amigos. Renovam-se. Desculpa não te querer. O não querer dói uma dor com a qual se sobrevive melhor. O não ser querido é desconcertante. Só tenho a te oferecer um nervo adormecido.

Sou desejo e culpa. As luzes faltam do outro lado da rua enquanto escrevo asneiras debaixo do ventilador. Hoje, os bêbados se embriagam e não estou lá. Amanhã, ou depois, estarei. Sem a tua presença ou a dos vizinhos e de suas crianças barulhentas. Hoje, a vista é horrorosa da varanda, e a carga nas minhas costas é densa de saudades de quem se encaixa em mim. Uma dose de humanidade, por favor. Fraca! Não estou bem, mas estou bem melhor assim.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Grande Bacuri é Carlos Hermes


     A um mês das eleições, estamos cada vez mais otimistas. Fizemos ontem, às 17 horas, uma caminhada no grande Bacuri com apoio da brigada de Carlinhos Amorim. Acompanhada de carros de som e de bandeiras hasteadas, a caravana desceu a Rua Euclides da Cunha com uma ótima recepção dos moradores e transeuntes.
     Carlos Hermes tem um compromisso enorme com essa região. Cresceu no Anhanguera e foi membro da comunidade São José do Egito. Fato que não interfere, de modo algum, na responsabilidade assumida com os outros bairros. Como reforçou o candidato a vice-prefeito, Clayton Noleto, “Carlos Hermes tem uma longa trajetória de luta por questões que beneficiem a todos, principalmente na educação”.
     Às 20 horas, seguimos para uma reunião no Parque Anhanguera, com falas de moradores locais e do professor Alcindo Holanda. Além de apresentar as propostas de campanha, Carlos lembrou dos vereadores que abandonaram a população e das obras paradas, como a do posto de saúde da Rua 21. Abandono agravado pela falta de saneamento, que levou à infecção e amputação da perna de dona Maria, mãe da anfitriã, por meio do esgoto.
     Nos agradecimentos, Carlos Hermes observou que “a política deixou de ser interessante para as pessoas porque perdeu o caráter de honestidade” e que os presentes provavam que essa situação pode ser revertida. Por fim, reiterou-se o convite à caminhada com Flávio Dino neste sábado, oito, na Praça da Bíblia.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Campanha de Carlos Hermes é bem recebida nos bairros


Passeio ciclístico e caminhada apontam ótima aceitação do candidato a vereador do Parque Anhanguera ao Alvorada

O professor Carlos Hermes realizou, neste fim de semana, passeio ciclístico e caminhada pelos bairros do Bacuri, Buriti, Anhanguera e Alvorada. Com a presença de dezenas de apoiadores e do candidato a prefeito Carlinhos Amorim, coligação “Imperatriz de todos nós”, os trajetos seguiram por importantes ruas da cidade.
Em seu blog, Hermes afirma ter se emocionado com a “bicicletada” – “Pessoas se despindo de qualquer interesse pessoal, abraçaram nossa campanha num ato de esperança e confiança pouco visto na política de hoje, uma época em que esses valores estão cada vez mais escassos em nossa sociedade”.
No domingo, acompanhado de Clayton Noleto (vice de Carlinhos Amorim) e de lideranças do Parque Alvorada, o candidato a vereador caminhou pelas principais ruas do bairro e conversou com os moradores locais.
Acalorada por bandeirolas, a caminhada durou das 17 às 19 horas, quando a equipe se concentrou em uma das casas na Rua do Buriti para uma reunião com os vizinhos. Clayton Noleto reforçou compromisso com os bairros, afirmando que a prefeitura tem priorizado o centro da cidade, colocando “asfalto por cima de asfalto enquanto os outros lugares permanecem esquecidos na lama e na poeira”.
Carlos Hermes, professor de vários estudantes do Parque Alvorada, reforçou sua ligação com o local e relacionou a falta de uma escola de Ensino Médio à violência e ao uso de drogas, enfatizando o perigo de se voltar às 23 horas para casa pela BR. O candidato reiterou que será o vereador mais comprometido da Câmara de Imperatriz – “A minha vitória é a vitória da classe trabalhadora, de um professor militante! Peço a oportunidade de um filho da classe trabalhadora representar vocês!”.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

302

De tantas impressões, a convicção de que se está só e do quanto a solidão é egoísta. Tudo o que se produz é para uso próprio, principalmente o que é feito para o bem estar social. O retorno é total e absolutamente umbilical.
O que passa é extremamente fixo - Por mais que se mova, sempre mantém a essência de transeunte.
A entrega se dá pelo medo e sua maior manifestação opõe-se em coragem. O ápice desse medo pode ser facilmente comprovado com atitudes (e sentimentos) xiitas. Apela-se para os exageros. Tudo é denso, transborda.
MÁGOA, PENA, MESQUINHEZ, PREPOTÊNCIA. Um só sem fim. Um só. Sem fim.


sábado, 30 de junho de 2012

Binóculos

Entediada, pintei o céu de vermelho pra ver se mudo de sorte fazendo do dia, noite.
Assim, podia manter em mistério se a fumaça guardada no pulmão é do último trago de cigarro ou da chaminé da cerâmica que acaba de apagar.
Usei papel celofane laminado vermelho para que as terça-ferias comecem mais tarde e, ainda assim, aconteçam.
O lado prateado fica virado para fora, para o sol. Para que fira os olhos de qualquer um que ouse entrar neste mundo meu pela porta errada, mesmo que com convite. Dessa forma malandra que a gente tem de querer curiar sem meter as mãos e a cara.
Na transparência, as reentrâncias do passado. Vejo uma nova garota pendurada no pescoço do homem que foi meu. Enquanto ele se estica para ver-me, afasto em adeus. Observo meu vulto ficando diminuto nas lentes dos óculos, tão acessórios quanto a menina no pescoço.
Findo como os outros, na mais estúpida interpretação. Sempre haverá a certeza prepotente de que além do vidro, da grade e do papel celofane laminado vermelho, e apesar de toda a fumaça, o céu é azulzim.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Desvio

  • O certo é que vieram em algum momento
  • e determinaram: Deves invadir.
  • Perpetuou-se então tua espécie
  • em mais milhares de corpos como o meu
  • Sujeitos a sarnas, mágoas, e às rugas do tempo.

  • É demasiado irônico ser um desbravador de errantes,
  • mas o mundo já não te culpa pelos que se vão, pedaços.
  • Há, antes de tudo, uma carência desenfreada 
  • por se manter a ordem desajustada.

  • Eu, hospedeira perfeita de ti
  • Dessas que agem quando querem, quase nunca quando devem,
  • gargalho enquanto devoras minhas vísceras 
  • e me apodrece em carnificinas. 

  • A volúpia da decadência que promoves
  • ainda há de fazer meus dias amanhecerem em trevas.
  • Contraste de quem desamou da vida
  • e se enfeitiçou pela morte.


quarta-feira, 30 de maio de 2012

Lambança


Boca de manga, carnuda.
Boca de chupar manga de chupar
Manga buceta.
Polpa rosa.
Entre os dentes, fiapos.
Escorre o mel pelo corpo, melaço
que dos dedos vai à boca.
Com leite, Mangusta.





quinta-feira, 17 de maio de 2012

Enquanto o suor ocre escorre dos teus cabelos
e impregna em meu nariz teu cheiro vinagre,
beijo tua pele e lambo os lábios
sentindo teu sal, teus sabores.
A língua passeia pelos dentes
E encontra resquícios de aguardente 
E os cílios por sobre a pele
Abrem, em cócegas, todos os poros.
Trabalhamos bem, por hoje.

domingo, 13 de maio de 2012

Meu coração de lata

Guarda segredos em pó

Que se desmancham ao amanhecer

Mas que permanecem em insônia

Invadindo os poros da noite


Meu coração delata




O teu passado só




Realizando erros ainda por fazer




que me penetraram em carma




e salivam como açoite




com o beijo da morte







sexta-feira, 4 de maio de 2012


A primeira vez que entrei na UFMA enquanto estudante foi em 2007. Apesar de ser do primeiro semestre, a segunda turma de Comunicação Social/Jornalismo de Imperatriz, composta de uma média de 40 estudantes, sendo um deficiente físico, dois negros e nenhum índio, teve as aulas iniciadas apenas no mês de Junho.
Na aula inaugural, tivemos direito a esclarecimentos, trote, lanche e... promessas. Quando entramos na universidade, acreditarmos em quase tudo que ouvimos. Fomos informados que logo o prédio de Comunicação estaria pronto, que teríamos uma ótima estrutura.
Rápido, começamos a sofrer as consequências de cursos (Comunicação, Engenharia e Enfermagem) implantados às pressas, sem estrutura, pura estratégia política. Faltava tudo – professores, material, laboratórios, assistência estudantil, respeito. Os estudantes de enfermagem puxaram a paralisação e alguns de nós aderimos. Naquele primeiro momento, por motivos pessoais, me mantive distante do que viria a se tornar uma greve.
O prédio estava sendo erguido aos trancos e barrancos. Alojamo-nos, batemos o pé, assistimos e debatemos filmes, bebemos vinho, gritamos palavras de ordem. Foram momentos intensos. Reunimo-nos com o reitor. Quando houve um acordo entre poucos que ali estavam presentes e tantos outros não concordaram, um hino marcou aquela noite: “Parece que eu sabia que hoje era o dia de tudo terminar...”. Sim, Wanderley Cardoso.
Com o prédio pronto, em pouco tempo, observou-se a limitação da construção. Em dias, a porta de um dos banheiros estava arrancada com concreto e tudo. Hoje, já nem sei qual parte da UFMA Imperatriz representa mais risco. O prédio velho (leia-se jurássico), já pegou fogo, teve parte interditada e derrubada, caiu teto, tem banheiros interditados e a antiga cantina está podre, esperando um casal desavisado se encostar durante uma festa em que a polícia pensa que pode entrar e parar de qualquer forma ou onde um guarda coloca uma arma na cabeça do estudante e ameaçar atirar por porte de maconha.
O prédio novo (E é novo mesmo, pois demorou anos para ficar pronto) virou morada de potó. Cheio de rachaduras, ameaça cair por não suportar mais peso. Os laboratórios são limitados (mais por questão física). Pelo menos, temos hoje profissionais competentíssimos e, pasmem, dispostos a ficar por aqui. Diferente de professores que fugiram de madrugada sem comunicar nada ou dos que tiveram que sair às pressas por ‘problemas de força maior’.
Mas ainda há tanto pelo que lutar! Assustam ainda algumas pessoas que estão aí desde o começo e só agora ‘perceberam’ que há algo de errado. Atenção: Essa Universidade é sua! E não, isto não lhe enche só de direitos. De deveres também! A sua casa, quem limpa é você!
A UFMA passou anos sobre uma direção omissa e irresponsável. Acreditou-se e votou-se em outra opção e, apesar de muitos dizerem que não deu certo e que fracassamos, as mudanças são nítidas. O estado do campus hoje é o resultado de uma bola de neve que se formou por muito tempo. Se agora passamos por mais um percalço, paciência! São tempos de escolhas. Em um dia, serão definidas as pessoas que lhes representarão por anos e, acreditem ou não, esta escolha é fundamental para a qualidade de formação profissional de vocês.
Aos que estão sentindo falta de informação, não se acomodem. Questionem, investiguem, ouçam todas as fontes e tirem suas conclusões. Mas tenham consciência de que não fazer isso não exclui o peso de sua responsabilidade. Que venham eleições de DCE, de direção de Campus, que venha a greve de professores e, com ela, melhoras para os nossos mestres. CONSCIENTIZE-SE, MOVIMENTE-SE!

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Virar as costas e ir embora é meu jeito de te deixar partir.
A cada passo percebo o quanto nossa liberdade faz dos outros prisioneiros.
São tempos em que permitir com que a felicidade caiba em livros e litros é tolice.
Sem pernas, sem pelos, sem perfumes, sem poros. Sem pena.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

UEMA lança edital de bolsas de iniciação científica

A Universidade Estadual do Maranhão, em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA), abriu nesta segunda, 23, o edital para seleção de projetos e orientadores ao Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica do CNPq/UEMA/FAPEMA. 

As inscrições vão de 23 de abril a 31 de maio de 2012 e devem ser feitas na Coordenadoria de Pesquisa da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação, em São Luís ou por correspondência (protocolo) ou via correio, no caso dos campi do interior. De acordo com o edital, só poderão concorrer professores efetivos e, no mínimo, mestres. 

Cada pesquisador poderá ser contemplado com até duas bolsas por instituição (CNPq, UEMA e FAPEMA). “Serão oferecidas 55 bolsas pelo PIBIC/CNPq, 100 bolsas pelo PIBIC/FAPEMA, ambas com vigência de agosto/2012 a julho/2013 e 90 bolsas pelo programa PIBIC/UEMA, com vigência de novembro/2012 a outubro/2013”.

Os resultados dos pedidos serão feitos dia 19 de julho de 2012, na página da UEMA. O edital e demais informações podem ser encontrados em www.uema.br 

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Estão abertas as inscrições para o 35º Festival Guarnicê de Cinema


O 35º Festival Guarnicê de Cinema, que acontecerá de 10 a 16 de junho no Centro Histórico de São Luís, está com as inscrições abertas até 7 de maio. Os filmes devem ter sido produzidos nos últimos três anos e concorrerão nas categorias de Longa Metragem (mais de 60 minutos), Média Metragem (entre 21 e 59 minutos) e Curta Metragem (até 20 minutos).

Promovido pela Universidade Federal do Maranhão, o Guarnicê é um dos festivais de cinema e vídeo mais antigos do país. Este ano, o evento prestará homenagem à atriz Marília Pera e receberá uma média de 10 mil pessoas. Na programação, além das mostras, estão inclusas palestras e cursos em bairros da capital. Mais informações em http://www.cultura.ufma.br/guarnice


terça-feira, 17 de abril de 2012


Estava toda a família na sala, coisa raríssima, quando surge a chamada do noticiário: “Enavegamento" (engavetamento de navios) provoca várias mortes e desaparecimentos em pleno Oceano Atlântico!”. Pasmos, aguardamos o restante da notícia.
William Bonner surge com cara de vômito na tela e informa que em uma “naviata” organizada pela nestlé, todos os transportes foram condensados (igual leite moça) e os sobreviventes foram amassados de tal forma que viraram bonecos lego.
Terminado o susto e a comoção momentânea, fomos fazer nosso último lanche do dia quando abro uma lata de leite ninho e dou de cara com um grupo de bonecos lego de olhos esbugalhados. Eles têm em seus pés entradas para recarregar e para cabo USB.
Em uma tentativa desesperada tento conectá-los ao computador, mas sou alertada pelo meu pai de que é uma conspiração norte-americana para nos rastrear. Pobres bonecos lego, terão que ser sacrificados.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Sexta às Seis e Meia reinicia nesta sexta


Retorna nesta sexta, 13, o projeto Sexta às Seis e Meia, uma iniciativa da Fundação Cultural de Imperatriz. A proposta é apresentar músicas que marcaram época ou que estão à margem dos sons normalmente ouvidos em barzinhos, valorizando artistas que ainda procuram seu espaço.

Por acontecer no Paço do Zuzinha (Rua Luís Domingues, nº 650, Centro), que não tem cobertura, o Sexta às Seis e Meia cessa durante o período de chuva e volta sempre no mês de abril. O “ponto de encontro das culturas brasileiras” será aberto para o público e ficará a cargo da Confraria dos Médicos de Imperatriz, com o seguinte repertório:

Itamar Fernandes: Gente humilde (Chico Buarque) / Eu não existo sem você (Maysa) / Ne me quittes pas (Édith Piaf) / As rosas não falam (Cartola) / Iolanda (Chico Buarque);

José Mendonça: Emoções (Roberto e Erasmo Carlos) / Sorri (Djavan) / Fogo e paixão (Wando) / Lua e flor (Oswaldo Montenegro) / Mulheres (Martinho da Vila);

Arnaldo Alencar: Não chore mais (Gilberto Gil) / Detalhes (Roberto Carlos) / Você não me ensinou a te esquecer (Caetano Veloso) / Pra sempre vou te amar (Robinson Monteiro) / Por amor (Roberto Carlos);

Sarah Serruya: Ben (Michael Jackson) / The winner takes is all (Abba) / Dust in the Wind (Scorpions) / You’re still the one (Shania Twain) / Fico assim sem você (Adriana Calcanhoto);

Renata Vasques e Axel Brito: Corcovado (Tom Jobim) / Wave (Tom Jobim) / Garota de Ipanema (Tom Jobim);

Warwyk Mendonça: O pato (João Gilberto) / Gostava tanto de você (Tim Maia) / Carinhoso (Pixinguinha);

Arquimedes Milhomem: Flores (Titãs) / Quase sem querer (Legião Urbana) / Last Kiss (Pearl Jam) / Good riddance (Green Day) / O que (Titãs).

Escritor lança hoje o livro "Calâmitas - A Odisseia da Luxúria"

O escritor Francisco Aldebaran lança o livro “Calâmitas – A Odisseia da Luxúria”, nesta sexta-feira (13), às 19h, no auditório da Academia Imperatrizense de Letras (Praça da Cultura). O evento é aberto a todos. De publicação independente, o trabalho levou oito anos para ser redigido e é, segundo o autor, sua principal obra.

Carioca, Aldebaran mora em Imperatriz desde 1991, é graduado em Letras pela Universidade Estadual do Maranhão e servidor público. O autor escreveu outros títulos como “O Drama de Uma Mulher Indecisa na Alcova”, “O Mistério da Tarântula” e “O Poder da Vontade”, que aguardam revisão, e está trabalhando em mais dois – “Ubu” e “A Casa dos Sete Ventos”.

A trama parte de um amor não correspondido que acontece em Lisboa, no século XVII, e se estende ao Brasil (Maranhão) carregando uma maldição. Ao longo da história surgem temas inquietantes, tais como incesto, lesbianismo, bruxaria, traição, repressão social e religiosa e orgias.

Os exemplares podem ser adquiridos pelo valor de R$ 30,00 e, após o lançamento, estarão à venda na Ética Editora (Godofredo Viana, nº 635, Centro). Mais informações em http://www.aldebaran.k6.com.br/


quarta-feira, 11 de abril de 2012

Eu, monstro

Nesta noite de pesadelos, estavas longe
Quando os olhos abriram assustados e grandes,
apesar da lua que invadia a varanda.
Meus monstros são tão vivos, tão reais.
Passo por eles de dia na rua, cumprimento-os,
Mas só na madrugada meus sonhos transbordam tantos pecados.
Semiacordada, ouço vozes e risos sarcásticos,
blasfemam a vida com ironias.
A pele arrepia enquanto a carne estremesse
no mesmo ritmo do coração acelerado.
Arranco o lençol para calar o suor
e, muda, mudo de posição.
Lembro então teus últimos delírios,
do teu mundo em que só eu podia entrar.
Recordo de passar o dedo polegar entre teus olhos
com movimentos sempre circulares e suaves.
Era meu jeito de pedir licença.
Me mandava sair, temia que teus monstros me machucassem.
Se antes soubesse o que hoje sei, ficaria.
Nesta noite, dormi enquanto muitos não conseguiriam
e percebi que meu monstro sou eu.


terça-feira, 10 de abril de 2012


No peito, o aperto
O vazio que fica entre os braços
que há pouco enlaçavam o corpo

Saudade que dói, mas não perece
Que faz massagem na alma
Pelas lembranças que ficam
do que se viveu
e do que se queria ter vivido.]




sábado, 31 de março de 2012

sexta-feira, 30 de março de 2012

FAMEM debate regras eleitorais de 2012


A Federação dos Municípios do Estado do Maranhão (FAMEM) está realizando o 1º Seminário Regional Eleitoral em várias cidades do Estado. Construído em parceria com o Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Ministério Público Eleitoral (MPE) e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o evento pretende debater as eleições de 2012 e é voltado para políticos e toda comunidade em geral.

O Seminário, que contou com a presença de mais de 200 pessoas na capital, está acontecendo nesta sexta, dia 30, em Itapecuru Mirim. De acordo com o site da entidade, a proposta é “informar os gestores municipais, vereadores e todos os políticos interessados sobre o calendário e as normas eleitorais definidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE)”.

No calendário, estão previstas ainda visitas para as cidades de Imperatriz (11/04), Balsas (13/04), Caxias (18/04), Presidente Dutra (20/04), Santa Inês (25/04) e Pinheiro (27/04). Serão debatidos os seguintes temas:

- Condições de elegibilidade;


- Transferência de domicilio eleitoral;

- Convenções partidárias;

-Propaganda eleitoral;

- Registro de candidatura;
- Condutas vedadas aos agentes públicos;
- Cassação de candidatura e mandato;

- Prestação de contas de campanha;

- Pesquisas eleitorais.

Seminário de São Luís

quinta-feira, 29 de março de 2012

PSoL Imperatriz oferece formação política para militantes


O Partido Socialismo e Liberdade (PSoL) de Imperatriz irá promover, nos dias 7 e 8 de abril, o Curso Como funciona a sociedade, ministrado pelo professor Luís Noleto. A formação acontecerá na Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), das 8 às 18 horas, e será voltada para filiados e simpatizantes do Partido, além de militantes dos movimentos sociais.

Noleto é economista, graduado pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e atua na Sociedade Maranhense de Direitos Humanos. Originalmente, o curso foi criado pelo Núcleo de Educação Popular 13 de maio, de São Paulo, no intuito de gerar educadores populares. Importante para todos os trabalhadores, elementos básicos para gerar uma consciência política.

Os interessados podem se inscrever com a historiadora Karilene Fonseca na biblioteca da UEMA (turno vespertino) ou no telefone (99) 81352836. As inscrições vão até sábado (31), no valor de R$10,00, com direito a certificado de 20h.

Professor Luiz Noleto, ministrante do Curso


Encerram nesta sexta as inscrições para Prêmio da AIL

A premiação será de 5 mil reais

O Prêmio Literário da Academia Imperatrizense de Letras, verão 2012, recebe inscrições até esta sexta, 30 de março. De acordo com a Resolução nº01/2012, a produção será avaliada por uma Comissão Especial, nomeada pela presidente da AIL, Edna Fonseca, e levará em conta os seguintes critérios:

1. Obra publicada ou significativo conjunto de produção literária;
2. Relevante interesse para a cultura e educação regionais;
3. Consistência Literária;
4. Potencial transformador;
5. Aceitação pública.

O concorrente deve anexar ao seu material, uma carta direcionada à presidente da Acadêmia, "apresentando prova de publicação em 2011 ou de sua produção literária inédita", além de três versões a obra já publicada ou do material encadernado.

A premiação de 5 mil reais será entregue na cerimônia de aniversário da AIL, dia 27 de abril de 2012.

segunda-feira, 26 de março de 2012


Tínhamos um plano, pequena

Naquela calçada, à noite

O mundo nos cercava de medos e perigos

Mas o que é o mundo para quem tem um plano?

Ousaríamos nos desesperar?

Os braços da rua nos acolheram

E a hippie desenhou um sol em ti,

para fazer brilhar esses teus deliciosos mistérios.

Rabiscou em mim a lua e sorriu

revelando me ver assim, expressiva e noturna.

Se ganhamos o céu de presente,


em que pedaço do plano ficaram nossos sonhos?



quinta-feira, 22 de março de 2012


Vanusa é um jacá.

Seu rosto forte, de riscas esferográficas e tintas variadas confunde-se com as fotografias expostas pela sala recém-refrigerada;

Na parede, o adesivo de bicicleta parece querer saltar do concreto para ganhar o mundo, tal qual as palavras que flutuam e dançam

cheias de graça mesmo para falar das coisas sérias que a atordoam;

As ideias saem dos cabelos crespos e vermelhos e se entrelaçam nas mãos sempre que são visitadas pelas unhas azuis.

Fitas e palhas dão as boas vindas e, complementadas pela disposição dos quadros e por uma mistura de objetos das mais distintas

procedências, trazem paz e calmaria indescritíveis.

Dentro dela, experiências, conceitos, conflitantes certezas.

Vanusa é um jacá de palha de coco, Babaçu.



Recursos hídricos de Imperatriz são pauta de audiência pública

A falta de tratamento de esgoto em 70% dos imóveis locais gera doenças e outros agravos à população

Nesta quinta, 22, Dia Mundial das Águas, a Câmara Municipal de Imperatriz está sediando uma audiência pública, solicitada pelo vereador Francisco da Costa (PMN), para debater o uso dos recursos hídricos da cidade. Durante toda a manhã estarão reunidos membros da Assembleia Legislativa do Estado, do Conselho Municipal do Meio Ambiente, da Suzano Papel e Celulose, da Colônia de Pescadores Z-29, da Fundação Rio Tocantins, do Governo Municipal, bem como toda a comunidade interessada.

O tema “A degradação ambiental dos recursos hídricos de Imperatriz, com formatação de estudos técnicos para mapear a origem da mesma e posterior revitalização deste recurso”, permitirá a discussão sobre a atual situação do Tocantins, o segundo maior rio totalmente brasileiro, e de riachos como o Cacau, Bacuri, Capivara, Do Meio e Santa Tereza, que cortam o município.

Como o Sistema de Tratamento de Esgoto local, que funciona desde 1999, abrange apenas 30% dos imóveis da cidade, várias mazelas podem ser observadas em decorrência da poluição das águas com dejetos. Doenças como esquistossomose, leptospirose, cólera, hepatite A e diarreia infecciosa são responsáveis por um considerável aumento de mortalidade infantil. A situação se agrava em alguns espaços como o riacho do Cacau e o rio Tocantins, que ainda são utilizados pela população como espaços de lazer e meio de vida, seja pela pesca, pelo cultivo de hortaliça, entre outros.

terça-feira, 20 de março de 2012

Pifeiros é retratada em documentário


As vidas dos moradores da comunidade de Amarante, MA, viram história

O vídeo “Quebrando coco e retratando identidades", que discorre sobre a comunidade de Pifeiros, de Amarante (MA), está sendo produzido por Maria José Lopes, Vanusa Babaçu e Frank Medeiros, com apoio do programa Mais Cultura, do Governo Federal. A ação propõe apresentar o cotidiano dos trabalhadores que vivem da agricultura familiar e da extração do coco babaçu e será complementada com uma cartilha.

O primeiro contato com Pifeiros foi realizado por Maria José Lopes, p

or meio do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB). A partir de então, houve a pesquisa de campo com entrevistas, rodas de conversa, observação direta e a gravação. Agora o vídeo está passando pelo processo de edição para ser lançado e distribuído entre a comunidade e a população da região, que muitas vezes não tem conhecimento dos povos que aqui vivem.

Vanusa Babaçu, que já trabalhou com um inventário histórico da Reserva Extrativista do Ciriaco utilizando fotografias, explica que fazer trabalhos do movimento social é uma tarefa difícil – “É muito sofrido. Você se envolve, vê as pessoas passando fome, quer levar comida, roupa”. Outro empecilho colocado pela pedagoga é a “falta de vontade e ousadia” do governo municipal e dos jovens pesquisadores em fazer cultura. Babaçu afirma que as pessoas que deveriam ser responsáveis pelas mudanças sociais estão paradas, que é necessário “colocar o pé, a cabeça e a alma na estrada”.

Apesar da escassez, a cidade já trabalha há um tempo com a produção de peças audiovisuais ou mesmo com a exibição de vídeos feitos em outros locais. Um dos principais facilitadores deste processo é o Núcleo Imperatrizense de Cinema Experimental (NICE), que traz as duas propostas e mantém, desde 2001, o projeto "Cinema no Teatro", apresentando gratuitamente filmes que estão fora do circuito comercial todas as segundas-feiras, às 19 horas, no Teatro Ferreira Gullar.
Maria José Lopes e morador de Pifeiros. Foto de Vanusa Babaçu